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Crítica | Digimon: Adventure 02: The Beginning – Digimon Psicopata Dá as Caras no Novo OVA da Franquia


Digimon’ é uma franquia que tinha tudo para não dar certo – ou pelo menos tinha tudo para não dar tão certo. Frequentemente comparado com uma outra franquia de anime que fez mais sucesso mundial – ‘Pokémon’ – a história da amizade entre seres humanos e bichinhos com superpoderes que se transformam em outras criaturas poderosas a partir da fusão (de si mesmos ou com outras criaturas) acabou rendendo muitas aventuras, e, brincando, brincando, lá se vão mais de 20 anos de estrada na franquia ‘Digimon’. Entre a série animada e muitos filmes, os fãs foram sendo presenteados ao longo das décadas com frequentes produções que, aos poucos, foram encaixando novas peças no enredo geral desta que, inicialmente, era só uma história de amizade entre seres humanos e criaturinhas. O mais novo episódio desse anime chegou essa semana aos cinemas brasileiros, com o título ‘Digimon: Adventure 02: The Beginning’.

Hoje os digescolhidos vivem em harmonia com seus digimons. Não é todo mundo no planeta Terra que tem suas vidas alinhadas com essas criaturas fantásticas, mas é a partir dessa amizade e parceria que o mundo consegue estar em paz. Entretanto, o surgimento de um ovo de digitama gigante sobrevoando a torre de Tóquio deixa a todos inquietos, pois o ovo é muito maior do que o normal e tem um ar ameaçador. Porém, uma semana se passa e nada acontece, aumentando ainda mais o clima de tensão no ar. Então, de repente, um rapaz tenta se aproximar do Digiovo e, a partir daí, a ameaça se confirma e Davis (na voz original de Fukujurou Katayama), Yolei (Ayaka Asai), Cody, T.K., Kari (Tara Sands) e Ken (Arthur Lounsbery) terão que se juntar uma vez mais a seus digimons para proteger a cidade de Tóquio.



Digimon: Adventure 02: The Beginning’ encontra uma solução interessante para uma barreira que a maioria das franquias longas encontra: como contemplar o fã, que perseverou ao longo dos anos, e, ao mesmo tempo, atrair novas espectadores para a história? Para tal o roteiro de Akatsuki Yamatoya para a história criada por Akiyoshi Hongo ao mesmo tempo em que cria uma aventura que remonta ao início de tudo, também a faz passada dez anos após os eventos vividos pela turminha de amigos no Mundo Digital. Assim, o sexteto principal se apresenta bem mais adulto, com ares mais juvenis (Davis, por exemplo, se especializou na feitura de lámen, em um restaurante próprio onde trabalha com seu Digimon), enquanto a trama principal remota ao primeiro humano que teve um Digimon como sua companhia, sinalizando, assim, como tudo isso teria começado.

Dessa transição de mundos (do infantil para o juvenil, do fã para o público geral, do anterior para o atual), o filme de Tomohisa Tagushi constrói um Ukkomon (voz de Rie Kugimiya) com ares psicopata e toques de terror, totalmente obcecado pelo seu humano, que não mede consequências para agradá-lo. Embora essa seja a grande novidade da trama, a grande batalha e a grande revelação só acontecem já no arco final do longa, gastando dois arcos num melodrama sem fim.

Atualizado e colorido, ‘Digimon: Adventure 02: The Beginning’ é um OVA curtinho do universo Digimon que se apoia mais na nostalgia do que na novidade. Mesmo trazendo uma importante peça da trama geral da franquia, entrega mais drama do que aventura. Um filme mais pensado nos fãs que se perguntam como tudo começou.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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