Vinte anos depois de ter iniciado a jornada de ‘Kiriku e a Feiticeira’, o diretor Michel Ocelot volta aos cinemas com mais uma animação voltada para o público infantil, mas que com certeza irá agradar mais o público adulto. Isto porque ‘Dilili em Paris’ mistura mistério com temas pertinentes e em pauta nos dias de hoje.

No final do século XIX, em plena capital francesa, a pequena Dilili trabalha em uma espécie de zoológico, onde reproduz costumes de seu povo na Nova Caledônia para os visitantes. Embora isso cause estranhamento ao espectador, era assim que as coisas eram no final do século XIX. E é lá que Dilili conhece o jovem Orel, um rapaz que trabalha pedalando triciclo pela cidade. Juntos, os dois ficam passeando pela cidade, enquanto Dilili conta sua história. Só que Paris está sob grande ameaça: um grupo malvado, intitulado Mestres do Mal, está sequestrando jovens meninas e levando perigo à população. Assim, Dilili e Orel vão se unir para desvendar o mistério e salvar as jovens meninas francesas.

O mais legal dessa história é que a aventura dos dois jovens conta com a participação especial de muitas personalidades da cultura francesa que fazem parte do imaginário dos brasileiros, tais como os pintores Claude Monet e Renoir, o compositor Debussy, o escritor Marcel Proust, os escultores Camille Claudel e Rodin, a atriz Sarah Bernhardt, dentre muitos outros. Tem até participação do franco-brasileiro Santos Dumont, com direito a falas em português!

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Além disso, por conta da aventura dos dois jovens, Dilili e Orel passam pelos principais pontos turísticos da Paris do século XIX, como o famoso Moulin Rouge. Nesse sentido, o longa proporciona um passeio pela capital que se tornou referência mundial na cultura, e, justamente por isso, se torna uma ótima ferramenta para aqueles que estejam aprendendo a língua.

Apesar de ter alguns pontos bem chocantes (alguns deles colocados com esse objetivo mesmo), ‘Dilili em Paris’ é um panorama cultural que nos faz refletir sobre o quanto a sociedade, como um todo, evoluiu nesse século e meio passados desde a Belle Époque. Misturando técnicas de animação que são plasticamente agradáveis ao espectador, o longa de Michel Ocelot faz um recorte social de uma época e oferece uma animação suave como um balé, que se baseia na história e não em grandes efeitos especiais. ‘Dilili em Paris’ é uma animação como se fazia antigamente, e pode agradar os mais saudosistas.

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