segunda-feira, fevereiro 9, 2026
InícioCríticasCrítica | Dora e a Cidade Perdida – Live-action diverte e surpreende...

Crítica | Dora e a Cidade Perdida – Live-action diverte e surpreende com uma vibe ‘Os Goonies’





No início do milênio, o canal Nickelodeon apresentou um desenho animado chamado ‘Dora Aventureira’, que contava a história de uma menina de sete anos, latino-americana, que vivia altas aventuras na floresta junto com sua mochila falante, um mapa antropomorfo e seu melhor amigo, o macaco Botas. Hoje, dezenove anos depois, a animação ganha uma versão live action com atores mais adultos e que traz todos os elementos essenciais da versão original, em um longa que surpreende até quem não acompanhava o desenho.

- Publicidade -

Dora (Isabela Moner, que agora atende pelo nome Isabela Merced e está perfeita para o papel) teve que se separar de seu primo Diego (Jeff Wahlberg, um pouco desconfortável na pele de um jovem inseguro) ainda pequena, quando o menino foi morar com a família na Califórnia. Porém, dez anos depois, seus pais (Eva Longoria, com poucas cenas, e Michael Peña, fazendo o que faz de melhor: provocar o riso fácil) decidem partir numa expedição atrás da cidade perdida de Parapata, e, portanto, enviam Dora para a família na Califórnia.

Assustada, a jovem decide encarar a selva de pedras (olha a alegoria aí gente!) sendo ela mesma – e, como vocês podem imaginar, todo mundo estranha aquela menina extremamente disposta e alegre, que faz questão de conhecer todo mundo. Só que uma reviravolta faz com que Dora, Diego e dois jovens norte-americanos, Sammy (Madeleine Madden, bem antipática e desorientada) e Randy (Nicholas Coombe, bem estereotipado como o nerd deslumbrado) acabem indo parar na Amazônia peruana, em busca de Parapata.

O surpreendente de ‘Dora e a Cidade Perdida’ é que ele realmente entretém. As crianças pequenas ficarão vidradas no longa, especialmente no início, quando ele é mais interativo e Dora quebra a quarta parede, perguntado ao espectador se ele consegue pronunciar determinados nomes de objetos que aparecem em cena. Os momentos de ação são bem colocados e conseguem manter o ritmo do longa sempre alto.

- Publicidade -

Estes são alguns dos pontos positivos do roteiro de Danielle Sanchez-Witzel, Nicholas Stoller e Matthew Robinson, que também tiveram o cuidado em inserir um universo indígena amazônico bastante respeitoso, sem caricaturar e sem inventar em cima da cultura alheia. O resultado é que ‘Dora Aventureira’ entretém o público infantil e aos adultos em aspectos distintos, porém, na mesma proporção.

Vale destacar a entrega de Isabela Moner para representar a conhecida personagem. Isabela convence com sua atitude positiva inabalável, sua felicidade ininterrupta e sua fonte de energia inesgotável. Ela pula, corre, dança, canta, se suja, se joga… o carisma que ela empresta ao personagem é palpável e contagiante. Você sai da sala de cinema energizado, quase com inveja da disposição que essa menina tem. Bravo!

- Publicidade -

Como nem tudo são flores (nem mesmo uma história que se passa na selva), a trama possui algumas falhas, como a caracterização dos personagens norte-americanos, que não conseguem gerar empatia em nenhum momento; a inserção de falas que levantam temas que não são desenvolvidos; e algumas soluções convenientes demais.

A direção de James Bobin poderia ter dado conta dessas questões, pois geram confusão, porém, não são pontos essenciais no longa, nada que comprometa a percepção final. E para aqueles preocupados com os efeitos especiais para fazer os bichinhos falarem, tranquilizem-se: os efeitos estão bem bons, e os animais interagem com os humanos de maneira bastante natural.

Por tudo isso, ‘Dora e a Cidade Perdida’ é uma aventura dinâmica e energizante, imperdível na tela grande e que tem todas as chances de ganhar uma merecida continuação.

- Advertisement -

Não deixe de assistir:

Assista TAMBÉM:

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

LEIA MAIS

MATÉRIAS

CRÍTICAS