Mesmo anos depois de ter feito sua estreia no cenário do entretenimento sob o alter-ego de Hannah Montana, Miley Cyrus permanece como um dos nomes mais prolíficos e prestigiados do cenário do entretenimento – tendo se reinventado diversas vezes e calcado um legado indiscutível no show business, tanto como musicista quanto como atriz, produtora e filantropa. E, após ter trabalhado no ambicioso projeto ‘Something Beautiful’, que lhe rendeu uma indicação ao Grammy 2026 na categoria de Melhor Álbum Pop Vocal, Cyrus resolveu retornar à sua afeição pela sétima arte ao assinar a inédita “Dream as One”, que integra a trilha sonora de ‘Avatar: Fogo e Cinzas’.
A faixa marca a primeira investida de Cyrus desde o ano passado, quando foi escalada ao lado de Andrew Wyatt e Lykke Li para a balada “Beautiful That Way”, do longa ‘The Last Showgirl’ – que garantiu ao trio uma indicação ao Globo de Ouro. Migrando dos palcos de Las Vegas para a imensidão de Pandora, a cantora e compositora havia celebrado a oportunidade de participar de um cosmos em constante expansão, cortesia da genial mente de James Cameron. Em uma declaração oficial em suas redes sociais, Cyrus disse que “mesmo que seja uma pequena estrela no universo que a família ‘Avatar’ criou, é realmente um sonho que se tornou realidade”.
Para tanto, a performer volta a trabalhar com Wyatt e escala a ajuda de Mark Ronson e Simon Franglen em uma empreitada que grita por uma presença na próxima temporada de premiações em meio a escolhas tão caprichosas que transformam o que poderia ser uma cândida balada em uma regurgitação de elementos esquecíveis e repetidos. Com exceção dos ótimos vocais de Cyrus, que parecem amadurecer conforme os anos passam, o trabalho em conjunto de Wyatt, Ronson e Franglen não funciona como deveria e aposta fichas em uma espécie de country-pop-folk que nunca alça voo.
Estendendo-se por pouco mais de três minutos, “Dream as One” conta com todos os elementos que almejam a uma cobiçada indicação e consecutiva vitória no Oscar – desde um arranjo melódico que mistura piano, bateria e violão, passando por um crescendo orquestral e culminando com uma lírica que fala sobre o poder do amor e da união (algo que, dentro do universo de ‘Avatar’, é um tema recorrente). E, apesar dessas engrenagens funcionam dentro do esperado e Cyrus tenha espaço para deixar sua rendição se tornar força-motriz, a faixa se mostra tão desesperada para alcançar um objetivo, que se torna pedante e vazia em meio a uma remodelação de tantas incursões similares – e deixando que as referências a nomes como a Aerosmith e Lady Gaga transformem-se em emulações superficiais em vez de homenagens.
Em outras palavras, não há nada de novo para se ver aqui, e sim uma cartilha seguida à risca por Cyrus e seus colaboradores que destitui “Dream as One” de qualquer indício de originalidade ou frescor – e que a faz se perder em meio a tantas outras canções semelhantes e mais bem arquitetadas.
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