sexta-feira, fevereiro 6, 2026
InícioCríticasCrítica | Duas Bruxas - A Herança Diabólica - TERROR Indie traz...

Crítica | Duas Bruxas – A Herança Diabólica – TERROR Indie traz duas histórias mal resolvidas em filme irregular





Originalmente o gênero do terror leva muitos estudantes de cinema a se aventurarem na criação de monstros e situações onde possam expor suas qualidades em efeitos especiais e caracterização. Alguns vingam na indústria e se tornam grandes nomes no gênero, mas, existe uma outra categoria pela qual a maioria dos nomes passa antes dos holofotes virarem para si: o cinema independente. Mais especificamente, o terror indie – aquele de baixo orçamento e muita boa vontade, no qual as pessoas se reúnem para dar vida a uma história, mesmo que não tenham tantos recursos ou experiências para entregar algo de boa qualidade, como pode ser visto em ‘Duas Bruxas – A Herança Diabólica’, estreia do gênero nas salas de cinema brasileiras a partir desta quinta-feira com distribuição nacional da Synapse.

- Publicidade -

Dividido em duas partes e um epílogo, em ‘Duas Bruxas – A Herança Diabólica’ acompanhamos duas gerações de bruxas em histórias diferentes: a primeira, mais velha (Marina Parodi), e a segunda, neta daquela, Marsha (Rebekah Kennedy). Na primeira parte conhecemos Sarah (Belle Adams), que está grávida de Simon (o engessadíssimo Ian Michaels) e vive um relacionamento comum até que, certa noite, durante um jantar em um restaurante, seu olhar se cruza com o de uma velha senhora bastante assustadora, e a partir daí Sarah cisma de que o olhar da velha a está perseguindo onde quer que vá. Numa tentativa de não levar a sério o que lhe ocorre, ela e Simon decidem visitar um casal de amigos no interior do país, mas uma sessão de ocultismo mal realizada trará perigo à vida de todos.

Com uma hora e trinta e oito de duração e dividido em três partes que se conectam mui fragilmente, a sensação final de assistir a ‘Duas Bruxas – A Herança Diabólica’ é que o projeto é um compilado de dois trabalhos independentes que foram juntados com o artifício das bruxas mas que, na prática, são duas histórias separadas. Ao menos a segunda parte é mais bem realizada do que a primeira. Soma-se a isso o tal epílogo, pretensiosamente dando indícios de que o projeto se dispõe a virar franquia – algo bastante comum no universo indie do terror, mas bastante pretensioso para este título em particular.

- Publicidade -

Ao contrário de outros terrores independentes que chegaram por aqui nos últimos anos, trazidos por Ari Aster e Robert Eggers, ‘Duas Bruxas – A Herança Diabólica’ tem atuações caricatas, sem qualquer preparação, e efeitos visuais limitados, valendo-se muito nas maquiagens e na repulsa que o gore incute no espectador. O resultado é um filme confuso com cenas aleatórias de laceração explícitas que entram de repentemente na história, sem causar susto ou lógica no enredo.

Mas o problema principal em ‘Duas Bruxas – A Herança Diabólica’ é a continuidade – que, por sua vez, tem a ver com a montagem do projeto de Pierre Tsigaridis. Às vezes um personagem está fazendo alguma coisa e literalmente na cena seguinte ele está fazendo outra, sem transição entre as duas ações. Somatizado com os pontos já acima mencionados, a impressão final é uma bagunça só.

Duas Bruxas – A Herança Diabólica’ não traz nada de novo ao gênero e suas cenas de terror/gore isoladamente funcionam, mas não na trama. Irregular e esquisito, seria um bom projeto caso tivesse ganhado mais orientação ao longo de sua trajetória.

- Publicidade -

- Advertisement -

Não deixe de assistir:

Assista TAMBÉM:

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
Artigo anterior
Próximo artigo

LEIA MAIS

MATÉRIAS

CRÍTICAS