Crítica | Elseworlds - crossover promete muito em teoria, mas frustra na prática

Crítica | Elseworlds - crossover promete muito em teoria, mas frustra na prática

Nota:

Quando um grupo de produtores, showrunners e/ou roteiristas criam episódios tão grandiosos quanto o crossover realizado durante o ano passado chamado Crisis on Earth-X, do Arrowverse, se torna um desafio não muito fácil de superar no ano seguinte. Bom, o tal "ano seguinte" já chegou e os mesmos não conseguiram se igualar a grandeza do evento passado.

Elseworlds, que juntou The Flash, Arrow e Supergirl, deixando as Lendas (DC's Legends of Tomorrow) de lado desta vez, aborda um parágrafo de uma história que será mais explorada no próximo ano. Aqui é possível conferir o personagem do Mar Novu (LaMonica Garrett), conhecido como Monitor, sendo este um herói que surgiu nos quadrinhos em 1982, deixando a Terra 90, e falhou em testar a Terra 1, onde vivem Barry Allen (Grant Gustin) e Oliver Queen (Stephen Amell).

A narrativa das três partes do crossover consegue trabalhar os princípios básicos de começo, meio e fim, apresentando uma história coesa em termos técnicos. O ponto é que a trama não anima, não provoca o espectador a manter toda sua atenção diante da tela e até mesmo causa frustração quando vêm à memória o evento do ano anterior. O enredo, que serve de introdução para o crossover do ano que vem, leva o público a questionar se realmente valerá a pena ou não.




Entretanto, existem detalhes que merecem destaque como por exemplo o papel de Gustin incorporando a personalidade do Green Arrow, especialmente na cena em que acerta o androide que duplica os poderes dos meta-humanos. Por outro lado, Amell não impressiona na atuação e entrega o de sempre. O melhor fica para as cenas de Tyler Hoechlin como o querido Superman. O ator que dá vida ao personagem mais icônico da DC Comics parece fazê-lo com naturalidade e realmente passar ao espectador a essência do Clark Kent que tanto amam.

É necessário também comentar sobre Hoechlin quando veste o uniforme preto do residente de Metropolis e realmente passa veracidade nas diferenças de personalidade, fazendo com que o telespectador enxergue o Dr. John Deegan (Jeremy Davies) na pele do mesmo. Elizabeth Tulloch captura a essência da jornalista mais amada dos quadrinhos, contudo, ainda é pouco para dizer se a mesma seria a Lois Lane que o público precisa. Quanto a Melissa Benoist, a Kara Danvers que todos adoram, a atriz entrega o que é preciso e sua conversa com a Alex (Chyler Leigh) da Terra 1 é um de seus melhores momentos.

É claro que precisamos falar sobre Kate Kane a.k.a. Batwoman (Ruby Rose). A participação da personagem durante o ‘Elseworlds’ não acrescenta em muita coisa, caso ela não estivesse presente, não faria diferença. A introdução de Gotham e da mesma, no entanto, já provoca desconfiança. Como fã da Kate Kane e leitora ávida dos quadrinhos que ela protagoniza, a vibe passada durante o crossover dá a entender que poderão fazer da Batwoman uma espécie de Batman versão feminina. Este fato seria um erro gigantesco já que a prima possui uma personalidade bem diferente de Bruce Wayne. Sigo torcendo para que seja de forma correta quando a série solo for lançada.

O evento deste ano confirma a química entre o trio: Allen, Queen e Danvers, assim como dos outros personagens que se enturmaram durante o ‘Crisis on Earth-X’, assim como ele prova que as Lendas fazem falta e que o Superman seria uma ótima adição ao time todo ano. A trilha sonora segue sendo o que o público já está acostumado e as coreografias de luta parecem ter caído um pouco se compararmos ao ano passado. É necessário apontar que a direção tem momentos marcantes e outros facilmente esquecíveis.

‘Elseworlds’ foi um poço de referências, tanto com Clark e Lois, como nas cenas em Gotham, especialmente no Arkham com Nora Fries (Cassandra Jean Amell) fazendo uma participação. O crossover também serviu como um epílogo para o ‘Crisis on Infinite Earths’ – Crise nas Terras Infinitas – que será o tema do próximo ano. Detalhe para o cliffhanger aberto em relação a Oliver Queen e o que ele abriu mão para salvar Kara e Barry. A parte 2 e 3 também apresentam o Anti-Monitor, o grande vilão do quadrinho (Crisis on Infinite Earths), e deixa uma espécie de teaser para o Superboy, o filho do casal de jornalistas de Metropolis.

No geral, o evento não causou tanto impacto quanto foi esperado e trouxe uma história agradável, chamativa no marketing, porém, que não cumpre o que promete na prática, deixando uma sensação de frustração no espectador. Agora resta torcer pelo do próximo ano!


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