Crítica | Em 97 Era Assim – Comédia gaúcha diverte e provoca nostalgia

Crítica | Em 97 Era Assim – Comédia gaúcha diverte e provoca nostalgia

Nota:

A nostalgia é um dos fatores mais atrativos do cinema. Se identificar com uma época passada e ser abraçado por ela é, definitivamente, um diferencial para que uma obra audiovisual nos conquiste por completo. Assim como os clássicosConta Comigo, Clube dos Cinco e ‘Os Goonies', que hoje nos despertam boas sensações ao revermos, o cinema gaúcho nos presenteia com a comédia Em 97 Era Assim, cuja maior artimanha é despertar aquela gostosa nostalgia de quem viveu sua infância/adolescência nos anos 90.

Com a direção dedicada de Zeca Brito e o roteiro inspirado de Leo Garcia, a comédia é ambientada em uma Porto Alegre de 20 anos atrás, época em que tudo era, de certa forma, permitido, onde ser adolescente no auge da puberdade era muito mais complicado por não contar com aquela ajudinha da internet e das redes sociais nas relações humanas. E é nesse mundo que parece ser tão antigo que a trama se passa, onde quatro amigos iniciam um tempo de descobertas quando seus hormônios começam a falar mais alto.

O protagonista, Renato, vivido por Fredericco Restori, consegue apresentar um personagem tímido, mas ao mesmo tempo curioso e esperto, que se completa pela personalidade de seus outros amigos Moreira (João Pedro Corrêa Alves) e Pilha (Pedro Diana Moraes). Porém, o destaque mesmo fica para Alemão (Julio Estevan), rebelde, mas com um bom coração, reflexo de sua criação diferenciada dos demais.



Todo o elenco entrega um reflexo do típico jovem porto-alegrense, cheio de gírias e costumes, o que pode ser um triunfo, dependendo do público que o filme se focará em atingir, afinal, é uma realidade majoritariamente branca, heterossexual e focada em apenas um único tipo de adolescente, que talvez não haja mais hoje em dia. Mesmo que se passe em outra época e não venha a ser da intenção do roteiro abordar temas mais complexos, teria sido interessante ver mais representatividade de etnia e gênero, ainda mais sendo lançado em um momento onde a diversidade está buscando seu espaço, bom, teria sido um diferencial cativante. Uma pena.

A direção de fotografia do talentoso Bruno Polidoro é bem realizada e apresenta tons pasteis, que ajudam a recriar o ar de “antigo”, como se fosse um álbum de figurinhas já fora do mercado, um dos destaques interessantes do filme, junto com a trilha sonora, que rouba a cena, com bandas típicas da época, como É o Tchan!, passando por bandas de rock gaúcho, nacional e internacional, como Acústicos e Valvulados, Raimundos e Supergrass. Tudo isso somado os detalhes impecáveis dos anos 90, como carros, doces e aparelhos eletrônicos, criam um clima nostálgico sem ser forçado, diferente de obras como por exemplo Everything Sucks, da Netflix, em que o excesso de referências rouba nossa atenção e faz a trama perder qualidade.

Pesando para o lado positivo, Em 97 Era Assim consegue nos divertir com as situações cômicas que um jovem passa na tentativa de perder a virgindade e mostra um retrato fiel e nostálgico do sacana anos 90. Porém, acima de tudo, é um filme nacional bem realizado, dedicado e que não fica para trás quando o assunto é mostrar um relato honesto da complicada e curiosa adolescência masculina.

O filme chega aos cinemas nesta-quinta, dia 14 de junho.

 

 

 

 





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