Emma Thompson já eternizou incontáveis papéis ao longo de sua carreira, reiterando-se projeto a projeto como uma das maiores atrizes não apenas de sua geração, mas de todos os tempos. Em mais de seis décadas como atriz, Thompson imortalizou uma versatilidade invejável que a permitiu singrar entre projetos como a comédia shakespeariana ‘Muito Barulho por Nada’, a adaptação ‘Razão e Sensibilidade’, a dramédia criminal ‘Cruella’ e o divertido musical ‘Matilda’. Agora, ela está de volta com um ambicioso e interessante projeto que mistura suspense e sobrevivência e que chega aos cinemas nacionais no próximo dia 19 de fevereiro: ‘O Frio da Morte’.
A trama nos apresenta a Thompson como Barb, uma mulher que recentemente ficou viúva e que viaja para um longínquo lago esquecido no meio do Minnesota, onde irá cumprir com o último desejo de seu falecido marido: despejar suas cinzas nas águas congelantes do pequeno e idílico cenário onde tiveram seu primeiro encontro e onde se apaixonaram. Porém, as coisas tomam um rumo inesperado e mortal quando, preparando-se para ir embora, ela vê uma jovem garota (Laurel Marsden) fugindo de um enfurecido homem (Marc Menchaca), que conheceu em uma breve parada numa pequena propriedade quase soterrada pela neve.

Resolvendo investigar, Barb descobre que a menina, chamada Leah, foi raptada por um casal formado pelo homem já mencionado e pela Moça de Roxo (Judy Greer), que, como vemos logo de cara, sofre de uma doença que pouco a pouco a mata. Para tanto, ela precisa de um transplante de fígado – e encontra em Leah sua salvação, visto que ela queria tirar a própria vida antes de ser sequestrada. A partir daí, Barb resolve ajudá-la da maneira que pode, transformando-se em uma espécie de habilidosa salvadora que usa os conhecimentos que o marido lhe ensinou há tantas décadas, lutando contra o tempo não apenas para salvar uma inocente, mas para sobreviver em uma inóspita região castigada pela solidão e pelo isolamento.
Seguindo os passos de incontáveis projetos do gênero de ação e de thriller, o diretor Brian Kirk faz o que pode para nos envolver por pouco mais de uma hora e meia, destinando o primeiro ato para nos apresentar aos personagens da trama e a backstories que se entrelaçam em um enregelante suspense – e alcançando sucesso notável ao menos na primeira metade do filme. Tendo títulos como ‘Game of Thrones’ e ‘Os Tudors’ na carreira, Kirk sabe como manejar a câmera, construindo um paralelo entre a força descomunal de uma natureza implacável e o fio psicológico que se apodera da protagonista e dos coadjuvantes, como se o objetivo principal fosse dar a Barb o seu tão merecido arco de redenção, paz e tranquilidade.

A nossa heroína, encarnada com maestria por Thompson em uma honesta e despojada performance, conecta-se imediatamente com o medo e a desesperança de Leah – e o fato de ela e o marido nunca terem tido filhos reacende em seu âmago um sonho perdido e que desperta nela instintos quase primordiais de proteção maternal. Guiando-nos por esse microcosmos ao mesmo tempo vasto e claustrofóbico, a construção da personalidade de Barb ganha certa profundida com a incisiva fotografia de Christopher Ross e a dissonante trilha sonora assinada por Volker Bertelmann.
Todavia, essa sólida e instigante atmosfera logo é açoitada por um roteiro desconexo e desconjunto, fruto da colaboração entre Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb. Enquanto os aspectos técnicos e artísticos são certeiros em sua completude, o enredo sofre para não ceder aos convencionalismos do gênero, mas, várias vezes, se rende a diálogos fracos que não condizem com o talento do elenco. Thompson, como já mencionado, é a linha condutora de uma sucessão de eventos que a arremessam em um tour-de-force tardio e que nutre de uma bem-vinda química com Marsden. Todavia, constantes incongruências transformam os antagonistas da trama em uma regurgitação dos clássicos antagonistas canastrões dos anos 1990, destituindo-os do senso de urgência e de psicopatia que esperaríamos.

À medida que nos aproximamos do ato de encerramento, percebemos que o projeto não possui a sustância necessária para uma história ao menos satisfatória, perdendo a mão ao tomar decisões descompensadas e profusas que exigem que o público amarre as pontas soltas da maneira que bem entender. E, ao apostar fichas em um melodramático desfecho, o gostinho de insatisfação e de frustração nos acompanha à medida que saímos da sala do cinema – nos levando a imaginar que ‘O Frio da Morte’ poderia ter sido muito melhor do que é.
Lembrando que o filme estreia em 19 de fevereiro nos cinemas nacionais.
O longa será lançado nos cinemas nacionais no dia 19 de fevereiro de 2026.




