Crítica | Encantado - animação é inversamente proporcional ao título

Crítica | Encantado - animação é inversamente proporcional ao título

Nota:

As produções audiovisuais voltadas para o público infantil tem buscado inovar seus conteúdos e/ou enredos dos contos de fadas utilizando personagens que antes não foram tão explorados. Vilões têm ganhado seus próprios filmes, princesas/rainhas antes não exploradas, e agora chegou a vez do tão famoso Príncipe Encantado ganhar sua próprio animação.

Encantado apresenta a história do Príncipe Felipe Encantado (Leonardo Cidade) que, ainda quando bebê, foi enfeitiçado com o efeito de fazer com que todas as mulheres do reino se apaixonem por ele. Contudo, o charme será quebrado quando ele completar vinte e um anos e todo o amor do mundo se extinguirá. A única forma de acabar com a maldição é se o mesmo se apaixonar verdadeiramente por alguém. Portanto, seu pai, o Rei Encantado, decide envia-lo em uma missão que fará com que descubra quem é seu amor verdadeiro.

O longa-metragem tem Ross Venokur (Saddam 17) assinando a direção e roteiro. A narrativa, além de não apresentar elementos que a destaquem das demais ou apresente situações novas bem elaboradas, conta com um dicionário de memes forçados e tentativa de provocar risadas por livre e espontânea pressão. É como se pegasse todos os pontos que têm feito das animações recentes bons filmes e tentado encaixar em um universo onde tudo está fora de ordem e mal construído.



Os diálogos não funcionam, os personagens não possuem uma storyline que permite ao espectador acreditar no amadurecimento dos mesmos. Não somente as piadas são forçadas, como os próprios protagonistas da mesma também são. O principal, Príncipe Felipe Encantado, não convence e não consegue bancar a narrativa como deveria, o que só dificulta a criação de identidade e conquista da atenção do público infantil. Ademais, as dublagens pecam na hora de interpretar as canções, que não possuem letras traduzidas cativantes, facilmente esquecidas após assistir pela primeira vez.

Um detalhe que funciona são as escolhas feitas para representar os elementos que pertencem à floresta. As cores são agradáveis aos olhos, dando um visual acessível à mente infantil, e demarca bem cada ponto diferente que faz parte daquela parte do universo. Infelizmente, é algo que pode passar despercebido devido ao fato de que a produção não consegue segurar o espectador diante da tela.

Venokur também tenta trazer certa representatividade feminina com a personagem Leonora (Larissa Manoela), entretanto, a trama acaba por transforma-la em um estereotipo, especialmente após a virada de roteiro do segundo ato para o terceiro. Enquanto isso, a suposta vilã - já que a mesma faz pouquíssimas aparições dentro da animação, sendo basicamente esquecida no churrasco - também se encaixa em um perfil já conhecido por aqueles que assistem e que pode provocar impressões errôneas nas crianças devido a certos aspectos de suas características.

No geral, Encantado é um longa-metragem que não apresenta nada de novo, utiliza uma dublagem forçada e personagens que não conseguem simpatizar com o público. O filme, que poderia abordar um lado da história dos contos de fadas peculiar, nunca antes visto, comete falhas imperdoáveis e perde a chance de explorar um universo que tinha tudo para ser enriquecedor para o mundo das animações baseadas em contos de fadas. O telespectador, portanto, segue esperando por uma produção que aborde de maneira correta a história dos príncipes encantados.





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