Crítica | Era Uma Vez um Deadpool – A prova de que Wade Wilson NÃO funciona censurado

Crítica | Era Uma Vez um Deadpool – A prova de que Wade Wilson NÃO funciona censurado

Nota:


Na era dos reboots e remakes –  a famosa reciclagem de histórias –  não é de se admirar que alguém poderia surgir com a ideia de reeditar o próprio filme para transforma-lo em algo apropriado, em tese, para os pais assistirem com seus filhos mais novos – estes os quais não possuem idade suficiente para o original. Era Uma Vez um Deadpool traz essa premissa em sua base e como diz a própria sinopse, “(…) volta aos cinemas em sua versão conto de fadas (…) o público de quase todas as idades poderá desfrutar o Mercenário Boca Suja repaginado através do prisma da inocência infantil.”

Se você, caro telespectador, está esperando uma história com diferentes inserts, cenas novas e situações não vistas anteriormente, meu conselho é nem comparecer ao cinema. O longa-metragem em questão é exatamente o mesmo filme que teve estreia no mês de maio só que alguns cortes, uns dois momentos inseridos e é, claro, toda a narração de Wade Wilson (Ryan Reynolds) dos acontecimentos para Fred Savage (The Wonder Years).

A história é a mesma e com isso, a narrativa se constrói basicamente no mesmo modelo de Deadpool 2. Aqui a produção é um pouco mais curta devido a eliminação das cenas de maior violência, o que, de certa forma, prejudica um pouco o entendimento geral da trama para aqueles que não assistiram ao original. Ademais, por mais que o roteiro busque amenizar e entregar um enredo mais próprio para os olhares dos pequenos, muitas de suas piadas e diálogos adultos, como até mesmo alguns momentos, permanecem durante toda a exibição. A exemplo disso está a cena em que as pernas do personagem de Reynolds estão crescendo.

A sacada do longa-metragem é a passagem de cena para as conversas de Deadpool e Fred em alguns momentos mais intensos, deixando uma sutil explicação do que aconteceu durante esses diálogos. Os comentários e críticas de Savage são divertidos, sua química com o protagonista funciona em tela. Entretanto, nem sempre o roteiro dos dois tem efeito para os mais novos dificultando assim a criação de empatia com o público-alvo e se entrelaçando muito mais facilmente com o adultos que já assistiram ao principal.

As poucas cenas inseridas logo no início do filme trazem o efeito esperado, provocam risadas no espectador e se comunicam facilmente com a plateia mais jovem. A narrativa funcionaria com mais fluidez e de forma mais crível, que realmente foi desenvolvida com o intuito de atrair os pequenos e seus pais, se essas pequenas inserções acontecessem com mais frequência. Desta forma, a ideia de que Deadpool também funciona com censura seria mais real e não uma jogada de marketing para arrecadar mais dinheiro.

Aproveite para assistir:


No geral, Era Uma Vez um Deadpool seria melhor se tivesse sido lançado em home vídeo invés de nos cinemas. É, de fato, uma reedição do longa-metragem original, com alguns poucos cortes aqui e ali, umas poucas cenas preguiçosamente colocadas que ganha seu público muito mais pelas cenas pós-créditos, em especial, a homenagem ao mestre Stan Lee. No final só fica a sensação de que a história de Wade Wilson não funciona quando censurada.



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