Do universo dos fetiches às reflexões sobre a sociedade e sua relação com o sexo, o instigante documentário Eros revela a intimidade de forma direta e sem pudores, provocando, entre outros pontos, uma reflexão sobre as hipocrisias do pensamento conservador.

A grande sacada é contornar seu discurso através do lugar onde as intimidades e o afeto se tornam óbvias, o motel. Esse lugar, cheio de histórias, vira um personagem importante imerso numa premissa inusitada e nos guiando para realidades diversas.

Do desejo ao desabafo, passando por fantasias sexuais, as histórias de pessoas convidadas a se filmarem se desenrolam uma a uma, compondo um retrato amplo e sensível que mergulha em camadas profundas e entrelaçadas de emoção. Com total liberdade diante da câmera, esses personagens reais se revelam em gestos de coragem e entrega, deixando surgir conflitos que precisam ser expostos. O mais curioso é que, por vezes, a experiência se assemelha a uma sessão de terapia — um resultado, no mínimo, surpreendente.

Um filme que tem seu tema central o sexo, é óbvio que possui cenas de relações íntimas (aqui, algumas explicitas) mas o que se reflete a partir do que é visto se torna muito mais interessante do que qualquer choque com a proposta. Pelas entrelinhas do que vemos e ouvimos, percebemos dramas pessoais, traumas não resolvidos, expressões de intimidade indecifráveis, feridas marcadas por parte de uma sociedade cheia de limites e que não enxerga o natural como deveria.

Exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes ano passado, o longa-metragem dirigido por Rachel Daisy Ellis é um recorte consistente de algo que para muitos será um eterno tabu. Chega aos cinemas dia 12 de junho.
