Crítica | Escape Room - Suspense sufocante e tenso no melhor estilo 'Jogos Mortais'

Crítica | Escape Room - Suspense sufocante e tenso no melhor estilo 'Jogos Mortais'

Nota:


O termo torture porn foi popularizado no começo dos anos 2000 após a estreia de uma nova geração dos chamados splatter films, que ficaram bastante populares nos anos 70 e 80 com as fitas VHS de ‘Faces da Morte’ e seus derivados.

Com a estreia de ‘Jogos Mortais’ (Saw) em 2004, o subgênero voltou a conquistar o grande público, que se divertia vendo pessoas sendo torturadas com cenas de violência gráfica e banhos de sangue, gerados por um sádico que tentava “purificar” as pessoas que cometiam crimes. A franquia gerou sete sequências, mas a qualidade narrativa e visual foi caindo a cada filme, até chegar no mediano ‘Jogos Mortais: Jigsaw’, lançado em 2017.

Como diria Lavoisier, "Nada se cria, tudo se transforma"... e essa máxima pode ser aplicada ao cinema atual. ‘Escape Room’ é uma mistura de ‘Jogos Mortais’ com as famosas salas em que um grupo de amigos são trancafiados, e precisam cumprir desafios para sair do local. Enquanto na vida real essas salas são feitas meramente para diversão e interatividade, no filme a brincadeira se torna mais mortal e tensa.

Na trama, seis estranhos recebem misteriosas caixas pretas com ingressos para uma sala de fuga imersiva, convite com a chance de ganhar muito dinheiro. Estando trancados em várias salas com condições extremas, eles descobrem os segredos por trás da sala de fuga e precisam lutar para sobreviver e encontrar uma saída.


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Ao invés de banhos de sangue, o filme preferiu apostar na tensão para manter o público preso na cadeira, e consegue com louvor nos deixar claustrofóbicos durante toda a projeção. Chega a dar arrepios as maneiras que os roteiristas Bragi F. Schut e Maria Melnik encontram para criar momentos absurdamente sufocantes, aliados a uma direção competente e estilosa de Adam Robitel – que já havia comandado o mediano 'Sobrenatural: A Última Chave'.

Os grandes destaques do elenco são Deborah Ann Woll, de 'Demolidor', Logan Miller, de 'Com Amor, Simon'. Apesar de não serem os protagonistas, são eles quem roubam as cenas e entregam as melhores atuações do suspense.

Enquanto os dois primeiros terços do filme te sufocam com situações pra lá de assustadoras, o terceiro ato se transforma em uma ficção científica escatológica, no estilão 'O Segredo da Cabana', que pode desagradar algumas pessoas - mas abre portas para o início de uma franquia, muito bem-vinda para aqueles que gostam dos filmes do gênero.

E pelo sucesso que o filme fez nas bilheterias norte-americanas, arrecadando surpreendentes US$ 18,2 milhões em sua estreia, não é de se espantar que uma sequência seja anunciada em breve.

Para os fãs de ‘Jogos Mortais’ e filmes de suspense, ‘Escape Room’ é um prato cheio de momentos que vão te deixar grudado na cadeira e com dificuldade de respirar. Uma ótima pedida. Boa tortura!

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