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Crítica | Eu Estava em Casa, Mas… – A busca da própria verdade pessoal


Ganhador do Urso de Prata de Melhor Direção (Angela Schanelec) em Berlim no ano de 2019, Eu Estava em Casa, Mas… é um curioso longa-metragem alemão de planos quase estáticos, muito atento aos detalhes. Mas a questão é essa: que detalhes seriam esses? Alguns vão achar que é um filme sobre o nada, outros uma mera e caótica tentativa de trazer para debate conflitos que podemos enxergar na realidade, na vida real, ligados à família, pais e filhos, dentro de um panorama europeu. Em certo momento, possui uma certa desponderação sobre a arte rebatendo a pergunta: O quão raso e vazio pode ser o atuar perante os olhos de quem não consegue conscientizar? 

É difícil até definir a trama. Basicamente gira em torno de uma mulher chamada Astrid (Maren Eggert), mãe de duas crianças, viúva faz dois anos de um ex-diretor de teatro, consumida por problemas pessoais e dificuldades de interagir, seja em casa na educação de seus filhos, seja na rua com terceiros. Seu filho mais velho some por um tempo e reaparece todo sujo, gerando debates sobre o ocorrido na escola. Os dias passam e Astrid busca compreender a vida sob várias óticas.



As imagens possuem grande força quando buscamos compreender os personagens e as referências que produzem. Obviamente é um quebra-cabeça com peças faltando, o exercício se torna preenchermos as lacunas a partir do que entendemos. Parece que estamos folheando um complicado livro de filosofia onde as reflexões chegam por meio de metáforas enigmáticas. Há um movimento sobre a solidão, o estar só, isso é uma certeza a partir da sofrida personagem que parece estar em volta de uma depressão constante, perdida no seu tempo como mãe, como mulher, com seu pensar crítico sobre uma sociedade e seus mínimos detalhes (parábola da bicicleta que permeia o roteiro).

De sentido concreto, há espaço para um intenso debate sobre a arte e alguns dos seus significados. Os paralelos sobre a essência da razão individualista, das inúmeras formas de interpretar, o raso e o vazio e principalmente as emoções que a arte nos traz. Em certo ponto parece até uma conversa com o espectador, principalmente na parte ao redor disso que transborda na paciência. Estreia nos cinemas no dia 10 de junho.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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