segunda-feira, fevereiro 9, 2026
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Crítica | Faces de Uma Mulher – viagem intrínseca pelo complicado universo feminino





Problemáticas Francesas

Traduzido direto do francês, o título original Orpheline, ou órfã, diz tudo sobre essa obra cujo mote são as realidades de cinco mulheres e suas problemáticas vidas. Quinto longa do cineasta Arnaud des Pallières, e o que segue seu filme mais conhecido (Michael Kohlhaas, com Mads Mikkelsen), com roteiro escrito pelo próprio, Faces de uma Mulher é um drama de narrativa fragmentada, funcionando praticamente na forma de uma antologia de contos, que se entrecruzam em certos pontos específicos (isto é, algumas das histórias).

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Como ocorre em todas as produções confeccionadas em tal estilo, algumas histórias ou trechos acabam sobressaindo e eclipsando outras – um dos exemplos mais recentes é o fantástico Relatos Selvagens (2014), que igualmente reserva seus altos e baixos. Faces de uma Mulher, no entanto, possui seus segredos implícitos a serem revelados ao público mais atencioso e detalhista. A obra, na realidade, aborda a mesma personagem protagonista, ao longo das fases de sua vida – como aponta de forma indiscriminada o título em português.

A linha narrativa planejada pelo cineasta é propositalmente ludibriadora, já que ao longo de quatro subtramas a protagonista troca seu nome e atrizes, algumas de idades bem próximas na vida real (como Adèle Exarchopoulos, 24 anos, e Adèle Haenel, 28 anos), se revezam no papel. O embaralho cronológico é outra quebra de paradigma arquitetado por Pallières. Aqui, não existe uma ordem linear de acontecimentos na vida destas quatro mulheres diferentes, que na realidade são a mesma pessoa.

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Haenel (dos recentes Amor à Primeira Briga e A Garota Desconhecida) é quem abre e fecha o longa na pele Renée, professora colegial dedicada a crianças carentes. Ela está esperando o primeiro filho ao lado do namorado, e sua vida soa perfeita (pela primeira vez, como ficamos sabendo mais tarde). No entanto, o passado volta à tona na forma de Tara, golpista profissional recém-saída da detenção, com quem Renée teve relação no passado. Não demora para que o elo entre as duas seja feito e que a protagonista também seja procurada por crimes do passado.

Quando cito no início do texto a vida de cinco mulheres, incluo, além dos quatro fragmentos da protagonista, a vida de Tara também, um forte elemento divisor de águas e muito influente na personagem principal. Tara é interpretada com esmero, mas certa falta de ousadia que era pedida, pela britânica Gemma Arterton (Príncipe da Pérsia), fazendo valer seu francês. Por outro lado, a pequena Vega Cuzytek (Kiki) e Solène Rigot (Karine), vivem a personagem em momentos de menos brilho, certa previsibilidade e clichê dentro do roteiro, na infância e adolescência respectivamente. Suas personagens, porém, servem de base para a abalada psique da protagonista.

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Além do nome conhecido da inglesa, outro rosto que chama atenção no elenco é o da francesa Exarchopoulos, que, caso você estivesse debaixo de uma rocha nos últimos quatro anos, participou de Azul é a Cor Mais Quente, um dos filmes mais comentados desde então. Os trechos com a atriz, personificando a protagonista em sua penúltima fase, com o nome Sandra, são os mais impactantes da trama – em especial os que mostram a relação com o “pai adotivo”. Faces de uma Mulher é um estudo feminino interessante, no qual um dos grandes trunfos é a desassociação das diversas personalidades inerentes a uma única pessoa, derivando de suas etapas ao longo da vida.

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