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Crítica | ‘Feliz Assalto!’ é uma estilosa rom-com natalina de assalto, mesmo carregada nos clichês


Estamos prestes a entrar no último mês do ano – e é claro que a Netflix não ficaria de fora das celebrações natalinas. Dando continuidade à sua série de lançamentos temáticos, que teve início com ‘Um Natal Ex-pecial’ e ‘Borbulhas de Amor’, o streaming retorna com mais um original intitulado ‘Feliz Assalto!’, apostando fichas em uma comédia romântica assim como os títulos já mencionados e trazendo uma reviravolta interessante ao se apoiar em clássicos filmes de assalto que temperam a narrativa com uma dose de humor muito bem-vinda e que ajuda a ofuscar alguns convencionalismos que o projeto carrega.

O longa é centrado em Sophie Arbus (Olivia Holt), uma jovem que trabalha em dois empregos para garantir o tratamento da mãe, que está internada no hospital e passando por um tratamento de quimioterapia. Tendo herdado as habilidades furtivas de seu avô mágico, ela tem uma propensão a realizar pequenos furtos de pessoas que se acham superiores a ela ou a seus colegas, usando o que consegue para fazer o bem. Um dos trabalhos de Sophie é na famosa e prestigiada loja de departamentos Sterlings, navegando pela época mais tribulada do ano e tentando lucrar um pouco em meio a um charme inerente e uma capacidade invejável de conseguir o que quer.



Porém, as coisas quase saem do controle quando o gênio da tecnologia Nick O’Connor (Connor Swindells) consegue invadir o sistema de segurança da loja, visto que ele foi responsável por instalá-lo, e flagra Sophie roubando dinheiro – entrando em contato com a jovem e ameaçando expor o que ela fez caso não o ajude. Não demora muito até que Sophie descubra onde ele trabalha e, inesperadamente, que ele foi erroneamente acusado pelo dono da Sterlings, o impiedoso e ambicioso magnata Maxwell (Peter Serafinowicz), e tem um desejo de se vingar pelo que lhe aconteceu com um golpe muito bem articulado que envolve o roubo de joias de um cofre secreto. A partir daí, os improváveis aliados embarcam nessa missão e se veem no centro de um turbilhão de sentimentos que pode aproximá-los ainda mais.

Como é de se esperar, a rom-com natalina da Netflix não foge muito da conhecida fórmula do gênero, apostando fichas nas conhecidas incursões do enemies-to-friends-to-lovers que se desenrola por breves 96 minutos e que, dentro do que imaginávamos, nos satisfaz através do ótimo trabalho do elenco e de uma reconfortante e nostálgica atmosfera que presta homenagens não só ao estilo em questão, mas a franquias como ‘Ocean’s’ e ‘Truque de Mestre’ – misturando, em um mesmo lugar, drama, comédia e histórias de assalto de maneira despretensiosa e recheada de vibrantes cenários decorados com luzes pisca-pisca, presentes e festões.

O filme é dirigido por Michael Fimognari, que, apesar de ser conhecido mais por seu trabalho como diretor de fotografia de diversos projetos de Mike Flanagan (como ‘Doutor Sono’ e ‘Jogo Perigoso’), não é nenhum estranho às comédias românticas. Fimognari ganhou popularidade pela franquia ‘Para Todos os Garotos que Já Amei’, ficando responsável pelo segundo e terceiro capítulos da elogiada saga da Netflix – e, de certa forma, expande as incursões feitas com estilosas cenas que denotam a imponência da Sterlings e o que ela representa para os protagonistas, além de um ritmo esquemático que conta com a dinâmica montagem de Jeffey M. Werner. A própria fotografia, também assinada pelo realizador, recebe enfeites burlescos que entram em conflito com a artimanha de Sophie e Nick.

Através de arcos um tanto quanto complexos para um enredo que, por vezes, se leva a sério demais, o aspecto de maior destaque vai para o elenco, que conta com ótimas interpretações de Holt e Swindells. Apesar de escorregarem na química em alguns momentos, ambos conseguem tomar as rédeas da história, soltando-se conforme as tramas de desenrolam e nos envolvendo uma honesta aventura natalina que entrega o que esperávamos – e que conta com diálogos sagazes e precisos nos principais momentos do longa. Lucy Punch os acompanha de perto como a ressentida Cynthia Hanson, esposa de Maxwell, enquanto Serafinowicz fica apagado em uma performance mais constrita.

Seguindo os passos de incontáveis títulos similares que chegam à Netflix ano após ano, ‘Feliz Assalto!’ tem o coração no lugar certo e apresenta uma nova perspectiva para os originais natalinos da plataforma de streaming. E, se conseguirmos deixas os clichês e os deslizes óbvios de lado, o filme tem grandes chances de nos conquistar ao colocar nos holofotes um ótimo corpo de atores dentro de um microcosmos despretensioso.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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