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Crítica | ‘Final 99’ – O estado de ser num mundo de reinvenções do próprio pertencimento [Festival do Rio 2025]


O estado de ser num mundo de reinvenções do próprio pertencimento. Em uma trama bem bolada, que aborda a palavra ‘identidade’ em muitas facetas, o curta-metragem gaúcho Final 99, escrito e dirigido por Frederico Ruas, nos leva até um drama existencial – com flerte no suspense – em que, a partir da perda de um objeto, um possível encontro desperta reflexões sobre questões contemporâneas e existenciais. O filme foi selecionado para a Première Brasil de Curtas do Festival do Rio 2025.

Crédito: Livia Pasqual- Maristela Ribeiro Producoes
Crédito: Livia Pasqual- Maristela Ribeiro Producoes

Um segurança noturno (Bruno Fernandes) de um lugar cercado de tecnologia, mas também de um silêncio ensurdecedor, perde sua identidade – possivelmente vítima de algum furto. O documento é encontrado por uma imigrante estrangeira (Mbyá Guarani Luicina Duarte), que propõe um encontro.

Crédito: Livia Pasqual- Maristela Ribeiro Producoes
Crédito: Livia Pasqual- Maristela Ribeiro Producoes

Rodado logo após o caótico estado de emergência que atingiu o Rio Grande do Sul recentemente, o projeto apresenta rapidamente sua trama conseguindo alcançar camadas dentro do discurso proposto – um mérito de uma obra que não alonga e, ainda assim, preenche nosso refletir com suposições.



Crédito: Livia Pasqual- Maristela Ribeiro Producoes
Crédito: Livia Pasqual- Maristela Ribeiro Producoes

Interpretativo em alguns momentos, usa da casualidade e até mesmo uma indecifrável distopia para explorar a nossa capacidade de autoexistência – o nosso lugar em um mundo de oportunidades, mas também solidão. Estar em um lugar que não sente como seu, os desvios da solitude e o instante que a ficha cai – a partir dos acontecimentos acompanhamos a jornada melancólica de um protagonista que vai decifrando seu próprio estado de ser.

Crédito: Livia Pasqual- Maristela Ribeiro Producoes
Crédito: Livia Pasqual- Maristela Ribeiro Producoes

Em 14 minutos, percebemos um uso afiado da linguagem – de forma criativa e que prende a atenção, aliado a uma direção de arte chamativa e uma direção competente, em uma tentativa inabalável de explorar caminhos para uma comunicação com o espectador. Do concreto do tempo aos simbolismos do existir, elementos saltam aos olhos, compondo uma parábola (no sentido figurativo) cheia de lições que entrelaça o pertencimento com um olhar empático voltado à imigração.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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