O sucesso da primeira temporada de ‘For Life’ foi tão grande que, imediatamente a segunda temporada foi logo realizada, estreando lá fora ainda em 2021 e recentemente disponibilizada na Netflix. Tendo figurado entre as produções mais vistas no Top 10 da plataforma, ela segue em alta dentre as opções mais buscadas pelos assinantes. Também pudera: com um enredo bastante emocionante e bastante atual, a série se abre em temas mais próximos a todo espectador, tornando-a, de certa forma, independente da primeira temporada (o que facilita aos novos fãs, que não precisam necessariamente ver os treze episódios anteriores para entender por completo a pegada da nova temporada).


A vida de Aaron Wallace (Nicholas Pinnock) não tem sido fácil. Após passar nove anos na prisão e se formar em Direito dentro do cárcere para poder se ajudar a sair, ele agora precisa literalmente reaprender a conviver com sua própria família, uma vez que sua esposa, Marie (Joy Bryant), passou um tempo envolvida com Darius (Brandon J. Dirden), e sua filha, Jasmine (Tyla Harris), já tem seu próprio filho com Ronnie (Toney Goins). Porém, a vida fora da prisão também possui alguns gatilhos que deixam Aaron congelados, e isso poderá influenciar sua boa conduta durante o período da condicional. Mas, no meio dessa readaptação, o mundo dará uma reviravolta com a pandemia do corona vírus, e, por isso, Aaron precisará fazer escolhas definitivas com relação à sua família.

Dividido em dez episódios de cerca de cinquenta minutos cada, a segunda temporada de ‘For Life’ tem duas partes bem marcadas, que separam o projeto em duas propostas distintas. Os primeiros cinco episódios acompanham o regresso de Aaron para sua casa/família e seu esforço em encontrar um lugar para si dentro de um núcleo do qual participava antes, mas que agora precisa ser reconquistado. A outra metade, entretanto, dá uma guinada com a disseminação do corona vírus pelo mundo, e foca não só em como a epidemia atingiu em muitos níveis a vida carcerária, como também as famílias com profissionais da saúde.


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Marcadamente seccionado, o roteiro de Hank Steinberg deixa evidente que são duas propostas juntadas por conta da vida real, como se fossem mesmo duas temporadas unidas em um só bloco. Se por um lado a primeira parte parece apenas mais do mesmo, sem trazer muitos elementos novos ao enredo, por outro a segunda metade aumenta a carga dramática por trazer dois pontos fundamentais que marcaram a pandemia: o medo de morrer pelo vírus e as ondas de indignação que tomaram conta do mundo a partir da morte de George Floyd nos EUA, reacendendo o movimento #BlackLivesMatter . Portanto, Russell Lee Fine e Jono Oliver fizeram importantes escolhas de direção ao deixar de lado subtramas superficiais e mostrar como esse personagem, baseado numa história real, também teve que reagir ao mundo pandêmico no qual todos nós estamos vivendo.

Com uma intensidade diferente, a segunda temporada de For Lifedeixa de lado os problemas carcerários para focar no racismo estrutural que engessa as leis sociais que tratam pessoas brancas de maneira diferente de como trata as pessoas não brancas. Um acerto temático dentro desse sucesso dramatúrgico seriado, que, embora infelizmente não vá ter uma terceira temporada, encerra o arco do protagonista de maneira sublime e à altura de seus grandes feitos reais.


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