InícioCríticasCrítica | Ginny e Georgia – Série fofa da Netflix tem a...

Crítica | Ginny e Georgia – Série fofa da Netflix tem a mãe mais incrível de todos os tempos!


Incrível. Aquilo em que não se pode crer, acreditar. Algo ou alguém que toma atitudes inesperadas, fora do comum, que possui caráter extraordinário, fantástico. Essa é a definição etimológica da palavra “incrível”, que serve muito bem para descrever a personagem Georgia, uma mãezona inacreditável que rouba a cena em ‘Ginny e Georgia’, nova série queridinha da Netflix.

Virginia (Antonia Gentry), Austin (Diesel La Torraca) e Georgia (Brianne Howey) são uma família incomum. Ginny é uma jovem de quase dezesseis anos; Georgia é uma mãe de trinta anos e Austin, um menininho quieto e imaginativo. Os três já viveram em muitas cidades dos Estados Unidos, razão pela qual cada um tem o nome de um estado, pois estão sempre se mudando. Então, o ex-marido rico de Georgia morre, e os três se mudam para a pacata Wellsbury. Diante do novo recomeço, Ginny começa a fazer novos amigos e arranja até um namorado, mas os segredos e o passado de sua mãe ameaçam a breve estabilidade que a jovem conquista. Assustada e revoltada, Ginny fará de tudo para não perder o que conseguiu na sua nova vida por conta das mentiras de Georgia.



Dividido em dez episódios de quase uma hora de duração, o roteiro escrito por Briana Belser, Mike Gauyo e Sarah Lampert é simplesmente viciante e tem todos os arcos bem demarcadinhos, embora no terço final da temporada os dramas sejam acelerados e alguns elementos acabem sendo inseridos de maneira gratuita e pouco trabalhadas. O enredo entrelaça bem a evolução das duas protagonistas, jogando luz lá e cá para que suas jornadas pessoais caminhem conjuntamente.

O motivo do sucesso de ‘Ginny e Georgia’ é os personagens incrivelmente carismáticos da série, a começar pela mãezona Georgia, uma Barbie do interior cheia de classe e com ares de psicopata. Por trás daquele rostinho de princesa indefesa se esconde tanta, mas tanta tramoia, que diverte e provoca o espectador, pois a personagem se mete em situações inacreditáveis e consegue se livrar delas de maneira mirabolante, sempre nos surpreendendo. Perto dela, ‘Lupin’ e Carminha não são ninguém. Ginny, por sua vez, embora linda e com suas razões para sentir raiva das coisas, vira uma adolescente insuportável do meio pro final da trama, o que é bastante irritante.

Não bastasse protagonistas fortes e explosivas, ‘Ginny e Georgia’ é recheada por um elenco masculino para ninguém botar defeito. Na verdade, são todos bem perfeitinhos: Hunter (Mason Temple), o namorado respeitoso e fofíssimo que paga micos lindos por Ginny; Marcus (Felix Mallard), o vizinho bad boy irresistível que a gente sabe que é problema, mas que sobe a temperatura toda vez que entra em cena; Joe (Raymond Ablack), o atendente-confidente do café com o maior senso paternal e que dá vontade de abraçar só de vê-lo; e Zion (Nathan Mitchell), o pai motoqueiro tudo de bom da Ginny que deixa Mark Wahlberg no chinelo.

Ginny e Georgia’ é uma série viciante sobre amadurecimento e relacionamento mãe e filha, mas que aborda temas importantes da convivência familiar e do universo adolescente. Tem tudo para se tornar uma dessas séries que a gente quer mil temporadas e cujos personagens transcendem a história.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS