Crítica | Gnomeo e Julieta: O Mistério do Jardim – Sherlock Holmes e elenco são o charme

Crítica | Gnomeo e Julieta: O Mistério do Jardim – Sherlock Holmes e elenco são o charme

Nota:

Animação para os Pequeninos

É um fato muito sabido que as animações de outros estúdios, voltadas para a criançada, não estão nem perto das produzidas pelas imbatíveis Disney / Pixar. Mesmo assim, isso não impede a maioria de cumprirem sua única proposta: entreter a criançada com diversão passageira e despretensiosa.

Isso é exatamente o que ocorre com esta produção da Paramount, produzida e impulsionada pelo icônico gênio musical Sir Elton John, o maior nome atrás das câmeras na obra. Nesta continuação, o músico volta como produtor, além de servir a trilha sonora com suas canções eternizadas, e inclusive realizar uma rápida aparição como um dos gnomos de jardim (aqui no Brasil conhecidos como anões de jardim).

Se você não está familiarizado com esta franquia, vale dizer se tratar da continuação de Gnomeo e Julieta, animação de 2011, comandada pelo diretor de Shrek 2 (2004), Kelly Asbury. Ao contrário do humor ácido do filme do ogro verde da Dreamworks, o cineasta realizava um filme mais voltado para toda a família, dono de uma comicidade mais inocente, e que usava, obviamente como diz o título, a base do conto imortal de William Shakespeare sobre o amor proibido de um casal pertencente a famílias rivais.



Sete anos depois e finalmente – mesmo que não tenha havido muitos pedidos para tal – ganhamos a sequência do longa, trazendo de volta as vozes da dupla de britânicos sensação no mundo, James McAvoy (Fragmentado) e Emily Blunt (Um Lugar Silencioso). Aqui, no entanto, sai Asbury e entra John Stevenson (Kung Fu Panda) na direção.

Outra mudança é o foco da história. William Shakespeare e seu Romeo e Julieta não comandam mais a narrativa, apesar dos personagens serem parte não muito essencial da trama. Dessa vez é Sir Arthur Conan Doyle e sua famosa criação, o maior detetive de todos os tempos, Sherlock Holmes, que ganham os holofotes da sequência. O fato criou uma confusão momentânea, já que nos EUA o título original faz alusão ao personagem “Sherlock Gnomes”, e no Brasil chegaram a ser produzidos materiais de divulgação com título semelhante – marketing recolhido para uma maior proximidade com a obra predecessora.

A obra de Doyle ganha sua versão “gnomizada”, inserida em tal universo como se sempre estivesse presente. A sacada legal desta série cinematográfica animada é a adaptação de livros clássicos na forma de ornamentos para os gramados. Logo que o filme começa, ganhamos as tais figuras escolhendo qual será o conto clássico modernizado desta vez. A piada sobre a escolha nos primeiros minutos é espertinha e traz sorriso ao rosto – mais para a meninada – sobra até para Game of Thrones. É claro que nada perto da chuva satírica, incorreta e de certo humor negro de produções como Deadpool 2, por exemplo – esta sim uma verdadeira máquina de risadas para os adultos também. Aqui, obviamente, o humor é seguro e acima (muito acima) da linha de cintura. Mas não ao ponto de fazer os pais que levarem os pimpolhos ficarem checando o relógio de minuto em minuto.

Gnomeo e Julieta 2 é esperto o suficiente e cria boas referências ao universo do detetive Sherlock Holmes – os mais familiarizados com suas histórias perceberão detalhes curiosos e minimamente interessantes, que variam desde a identidade de seu arqui-inimigo, até nomes de livros e casos lendários criados por Doyle. Se a animação fizer bem o seu trabalho inclusive despertará a vontade dos pequeninos pelos livros do personagem, o que será um grande mérito. A trama simples e direta, apresenta Sherlock Gnomes e seu fiel escudeiro Watson prontos a desmantelar o plano de um misterioso vilão, que consiste em destruir todos os gnomos de jardim de Londres, incluindo a família e colegas de nossos protagonistas. A surpresa dentre os dubladores aqui fica por conta de Johnny Depp e Chiwetel Ejiofor como Sherlock e Watson respectivamente.

Gnomeo e Julieta: O Mistério do Jardim é uma animação discreta e inofensiva. Ao mesmo tempo em que não marcará ou mudará a vida de ninguém, é o tipo de entretenimento adequadíssimo para uma tarde em família, e que promete distrair a criançada por 1h e 30 minutos. O nível de sagacidade aqui é mediano, longe da metralhadora de gags da franquia Uma Aventura LEGO e LEGO Batman, por exemplo, mas também não tão inertes quanto os comatosos filmes em live-action dos Smurfs. Simpático, gracioso e com boas sacadas, a animação até nos faz desejar e tentar antecipar qual obra clássica da literatura pop ganhará roupagem em um eventual terceiro filme.





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