Crítica | Godzilla Minus One – Gojira Destrói Tóquio em seu MELHOR Filme!

Em meados da década de 1950 o mundo foi surpreendido pelo lançamento de um filme ousado, diferente e completamente assustador. Ainda por cima, esse filme era japonês, o que afrontava a hegemonia hollywoodiana do circuito cinéfilo internacional. Estamos falando do primeiro filme de Godzilla, o monstrão que se assemelha a um lagarto e com cerca de 50m de altura, que deixou Tóquio em constante estado de pesadelo durante décadas, pois sempre reaparecia para destruir a cidade. Agora, às vésperas de completar 70 aninhos, o rei dos monstros está de volta às telonas, graças à distribuição da Sato Company, chegando nesse fim de ano ao circuito nacional com o longa de açãoGodzilla Minus One’.

Com o fim da II Guerra Mundial, o Japão se encontra econômica e socialmente devastado. Não há comida, dinheiro, emprego. Assim conhecemos Koichi (Ryunosuke Kamiki), um piloto de avião kamikaze da marinha japonesa que não consegue cumprir sua missão e acaba pousando o avião em uma ilha, para onde são enviados mecânicos para tentar consertar o suposto problema do avião de Koichi. Porém, no meio de desavenças ideológicas, uma ameaça maior surge na calada da noite: Godzilla, a quem os moradores da ilha chamam de Gojira. Após sobreviver ao ataque da criatura, Koichi retorna a uma Tóquio esfomeada e sem esperanças. Neste cenário desalentador, ele conhece a intrigante Noriko (Minami Hamabe), que carrega um bebê que não é dela e aparenta precisar de ajuda. Dessa reunião improvável, um se apoiará no outro para sobreviver nos dias sombrios, porém, um assunto não resolvido do passado de Koichi o impede de seguir adiante, e as lembranças da criatura destruidora rondam seu sono todas as noites.

Em quase duas horas de duração, ‘Godzilla Minus One’ é a obra-prima da franquia do rei dos monstros. Não é exagero afirmar que é o melhor filme da franquia desde a sua estreia, em 1954, e definitivamente é um filme para ser visto na tela grande, preferencialmente numa sala com boa qualidade de som e uma projeção gigantona.

Escrito e dirigido por Takashi Yamazaki, o longa consegue entregar, com excelência, todos os pontos relevantes para essa franquia: bons efeitos especiais e também visuais, fan service, uma boa história (coerente, crível e com um pano de fundo histórico bastante relevante), personagens carismáticos interpretados por artistas competentes, uma pitada de humor, toques de terror, romance e drama. Tudo se encaixa em harmonia de modo a permitir, assim, que a destruição feita por Godzilla cause um impacto ainda maior nos espectadores. Desse modo, Takashi Yamazaki respeita e reverencia este que é um dos maiores símbolos da cultura japonesa e também da cultura cinematográfica mundial.

Inicialmente misterioso, a entrada de Godzilla em cena ocorre em uma cena esplendorosa, e o monstrão vai crescendo (literal e figurativamente) na projeção, mostrando toda a sua capacidade destrutiva, o que certamente fará os fãs delirarem no cinema. E se primeiramente Gojira teria surgido a partir de testes nucleares (tema em voga à época), agora, em 2023, o realizador olha para trás e busca uma outra perspectiva para o lagartão, justificando-o como uma ameaça externa que vem do mar para terminar de destruir o país que busca se reconstruir. Qualquer metáfora aqui não é mera coincidência.

Godzilla Minus One’ é um filme irretocável. Entrega entretenimento e debate social num contexto histórico real sem ser maçante. É o grande retorno de Gojira, no auge dos seus setenta aninhos, à contemporaneidade, e pronto para conquistar novos fãs mundo afora.

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