Dentre as muitas categorias de filmes de terror, existe uma que causa bastante inquietação em boa parte do público: aqueles filmes que se passam debaixo d’água. Com características mais sufocantes, essas produções tendem a ter como grande ameaça não só um possível fim do oxigênio disponível para respirar, mas também – ou principalmente – a existência de predadores prestes a se alimentar dos protagonistas do filme. Foi assim que o despretensioso ‘Medo Profundo’ acabou conquistando o gosto do público, e, por isso, a chegada de ‘Grande Tubarão Branco’ (novo filme dos mesmos produtores daquele) na Netflix causou grande expectativa no público. Entretanto, o resultado é um bocado irregular.

Kat (Katrina Bowden) e Charlie (Aaron Jakubenko, o queridinho de ‘Tidelands‘) são um casal feliz que têm uma pequena empresa de prestação de serviços turísticos, através da qual oferecem passeios de avião monomotor para sobrevoar as belas praias da costa da Austrália e arredores. Certo dia eles recebem o telefonema de Michelle (Kimie Tsukakoshi) e Jo (Tim Kano), que querem sobrevoar uma praia mais afastada – o que significa um bom pagamento para os microempresários endividados. Porém, ao levar o casal para lá, eles encontram o corpo de um turista devorado pelo que parece ter sido a mordida de um tubarão branco. Preocupados com a possibilidade de haver outro turista perdido, o grupo decide ir atrás do barco perdido, mas mal sabiam eles que o perigo ainda estava à espreita…



Por ser o primeiro trabalho na direção em longa-metragem de Martin Wilson (até então seus trabalhos eram curtas-metragens), dá para relevar certas inseguranças que ‘Grande Tubarão Branco’ apresenta, tanto na montagem quanto (e principalmente) na construção do ambiente de tensão do predador marinho. Porém, mesmo que sejamos generosos em considerar que ao menos as tomadas aéreas são bem feitinhas e que a locação é maravilhosa, com praias paradisíacas de areia branquinha e um mar perfeito, a conclusão é que na real ‘Grande Tubarão Branco’ é bem fraquinho.

O roteiro de Michael Boughen oferece uma história insegura tanto em seu argumento quanto em sua construção. O personagem Jo é gratuitamente grosseiro, tendo como única justificativa oferecer um conflito alternativo para o tempo de agonia em que os cinco personagens ficam aguardando por um possível resgate. Aliás, o roteiro se preocupa em justificar os passados e atitudes dos personagens, porém, em vez de construir esses caminhos para que o espectador se conecte com eles, tão somente faz os personagens contarem voluntariamente particularidades de suas vidas para os turistas desconhecidos, como se isso fosse algo natural mesmo em situações de tensão.

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Ao contrário de ‘Medo Profundo’, ‘Grande Tubarão Branco’ é um thriller bem irregular, que não oferece quase nada de medo ou mesmo de ameaça. Até o efeito do tubarãozão é meio tosco, Porém, para quem gosta desse tipo de filme de terror aquático, é uma alternativa para assistir em casa enquanto novos filmes desse gênero não estreia para o grande público.



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