Crítica | Guy Ritchie repete fórmulas datadas na frustrante aventura ‘A Fonte da Juventude’



Em A Fonte da Juventude, Guy Ritchie nos convida para uma jornada ao redor do mundo juntamente a Luke Purdue (John Krasinski), um aventureiro que deseja manter o legado do pai de localizar e encontrar artefatos dados como perdidos, e que recruta a ajuda da irmã mais nova, Charlotte (Natalie Portman), para ajudá-lo. Relutante, Charlotte une-se a Luke e aos outros membros de seu time, bem como seu jovem filho prodígio, para encontrarem a lendária fonte da juventude – guardado a sete chaves para impedir que seus poderes milagrosos caiam nas mãos erradas.

O longa-metragem, que chegou hoje, 23 de maio, ao catálogo da Apple TV+, posa como um projeto que teria tudo para dar certo nas mãos de Ritchie, ainda mais considerando seu apreço por filmes que misturam ação, aventura e comédia em um mesmo lugar. Afinal, ao longo de sua prolífica carreira, o cineasta encabeçou projetos como ‘O Agente da U.N.C.L.E.’, ‘Sherlock Holmes’ e ‘Aladdin’, apenas para citar alguns que refletem seu gosto pelos gêneros em questão. Logo, resgatar o espírito aventureiro de um público apaixonado por missões impossíveis não seria um trabalho tão árduo para o realizador – o que não se provou verdade, considerando a completa falta de originalidade que emerge com o projeto.

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De fato, já esperávamos que Ritchie traria inúmeras referências de produções similares a A Fonte da Juventude; todavia, há uma clara linha que separa os conceitos de emulação e reciclagem – e o diretor a cruza inúmeras vezes ao construir uma salada mista de clássicos como ‘Indiana Jones’, ‘A Lenda do Tesouro Perdido’ e ‘A Múmia’ em um enredo tão convencional que chega a ser desnecessário acompanharmos as mais de duas horas de duração. Afinal, sabemos o que irá acontecer e de que forma cada um dos arquétipos será tratado com o decorrer dos atos: temos uma regurgitação do relacionamento entre Eve e Jonathan Carnahan em ‘A Múmia’ para a estruturação de Luke e Charlotte, armadilhas mortais que remontam às enfrentadas por Harrison Ford e Nicolas Cage em seus respectivos filmes, e um leve aceno ao aspecto sobrenatural de ‘Lara Croft: Tomb Raider’.

Portman e Krasinski fazem um bom trabalho ao encarnarem os irmãos Purdue, com o roteiro nos ajudando a compreender a épica backstory comum a personagens desse tipo e de que forma os dois são atraídos para essa aventura perigosa e lendária. De fato, os dois atores nutrem de uma boa química, mais pelo fato de suas transmutações performáticas do que por diálogos inovadores ou interessantes – e trazem um teor cômico divertido para a história. Além deles, Eiza González dá vida a Esme, uma Protetora da fonte da juventude que tem a missão de impedir que Luke prossiga com a descoberta, encarnando uma remodelação das Femme fatales de maneira funcional; Domnhall Gleeson emerge como o costumeiro ricaço que financia a empreitada, aqui chamado de Owen Carver, e que pode ou não estar escondendo segredos obscuros; e Arian Moayed como Jamal Abbas, inspetor da Interpol e que está no encalço de Luke por roubo.

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O estilo artístico e técnico também não foge do esperado – o que não representa um grande problema, para ser honesto. A trilha sonora de Christopher Benstead é um nostálgico arranjo de percussões e cordas que reitera emoções em determinadas sequências e pende para obviedades redundantes em momentos pontuais; a montagem de James Herbert segue os passos de tantas outras obras, apostando numa frenética picotagem nas cenas de perseguição e de ação, e abrindo-se para um tempo maior quando a fotografia de Ed Wild se volta para a humanização dos personagens. E essas fórmulas não teriam problema algum se ao menos o caráter do entretenimento fosse empregado com mais comprometimento.

A verdade é que o filme é ofuscado por títulos parecidos que, ao menos, não se levaram a sério e conseguiram engajar os espectadores – como ‘Missão: Impossível – O Acerto Final’, recém-chegado aos cinemas mundiais; ou ‘Covil de Ladrões 2’, que manteve a identidade do primeiro filme e não quis dar um passo maior que a perna. E um dos principais problemas é o fato de não sabermos em nenhum momento se o filme se leva a sério ou se simplesmente é tão despretensioso que chega a ser cansativo em sua exagerada discrição.

A Fonte da Juventude pode até contar com ótimas performances de um corpo de elenco fabuloso e que se joga de cabeça nessa “farofada” – mas nem essas sólidas atuações são boas o suficiente para nos afastar dos múltiplos equívocos e de motes datados demais para trazer qualquer coisa nova.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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