Crítica | Halloween – Michael Myers retorna em sequência clichê e frustrante

Crítica | Halloween – Michael Myers retorna em sequência clichê e frustrante

Nota:

Os fãs de filmes de terror estão encontrando nos cinemas a melhor leva dos filmes do gênero, com produtoras como a Blumhouse e a A24 realizando produções de baixo orçamento mas qualidade de blockbuster, sempre visando inovação em seus filmes como uma prioridade.

Após a Blumhouse realizar exaustivamente sequências de suas grandes franquias, como ‘Uma Noite de Crime‘ e ‘Atividade Paranormal‘, eles decidiram resgatar os direitos de adaptação de um dos maiores clássicos do terror:
Halloween, A Noite do Terror‘, dirigido por John Carpenter em 1978.

O terror chocou a audiência ao trazer uma história aterrorizante e um dos assassinos mais icônicos da história do cinema: Michael Myers. É considerado um dos precursores dos slasher movies, sendo lançado poucos anos após o grande precursor ‘O Massacre da Serra Elétrica‘ (1974), de Tobe Hooper.



Ao invés de refilmar o clássico, uma decisão sempre arriscada, a Blumhouse decidiu fazer uma sequência direta do primeiro filme, esquecendo os outros dez filmes da franquia (sete sequências, o remake e sua sequência).

Apesar de estar receoso, eu não poderia estar mais ansioso para este novo filme, principalmente após ele ser ovacionado pela crítica internacional e receber 85% de aprovação. Porém, me decepcionei com mais um filme genérico da franquia – apesar de trazer Jamie Lee Curtis, a mais icônica Scream Queen do cinema.

Na trama, uma equipe britânica de documentaristas vem aos Estados Unidos para visitar Michael Myers na prisão, na intenção de relatar os acontecimentos da noite de terror do maníaco ocorrida há 40 anos, mas seu projeto se torna ainda mais interessante quando Myers escapa, recolhe sua máscara e procura se vingar de Laurie (Jamie Lee Curtis), deixando uma trilha de corpos pelo caminho. Nas décadas que se seguiram, Laurie se preparou para o retorno inevitável de Michael, para proteger principalmente sua filha Karen (Judy Greer) e sua neta Allyson (Andi Matichak).

Os primeiros dois terços do filme são bastante interessantes, apesar do Deus Ex-Machina contínuo e cansativo – Michael Myers sempre sabe onde todos estão, inclusive sua máscara perdida. O terror dá espaço para um suspense leve, sem muito sangue ou cenas assustadoras. Se você procura um banho de sangue e mortes chocantes como na franquia ‘Pânico‘, pode ficar bem decepcionado. São poucas as vezes que vemos Michael em ação, apenas a trilha de corpos mortos que ele deixa no caminho.

Apesar de termos o grande retorno de Jamie Lee Curtis como Laurie Strode, 16 anos após seu péssimo desfecho no tenebroso ‘Halloween: Ressurreição‘, este novo filme vale apenas pela nostalgia dos fãs. A trilha sonora de John Carpenter está presente e é um dos principais pontos positivos.

Além da trilha, existe um plano sequência dirigido por David Gordon Green (‘Segurando as Pontas’) muito bem feito, em um momento que Michael ataca uma de suas vítimas. Green entrega um ótimo trabalho de fotografia e planos bem realizados. Seu trabalho rebuscado e bastante técnico é estragado por um roteiro cheio de furos, que em nenhum momento decola.

A premissa interessante é assassinada nos primeiros minutos e o filme carece de um final épico e cenas icônicas, ficando muito aquém do original e até de algumas sequências. Quando achamos que finalmente vai engatar, ele acaba de maneira decepcionante. O roteiro escrito por Jeff Fradley, Green e Danny McBride usa e abusa dos clichês que a própria franquia criou, em alguns momentos como homenagem ao clássico, mas na maioria das vezes como uma reformulação das ideias já usadas na franquia.

É mais um slasher movie que tenta ser mais engraçado do que é, e menos assustador do que deveria ser. Pelo menos ‘Halloween H20‘ não se levava tão a sério e trazia mortes assustadores e surpreendentes, conseguindo permanecer na frente desse na lista nos melhores da franquia.





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