Inserindo-se naquele grupo de filmes que você ama ou odeia, o longa-metragem de terror Harpía: Presença Maligna apresenta, por meio de uma dinâmica familiar, uma narrativa ambígua que estimula interpretações a cada reviravolta. Escrito e dirigido por Angela Gulner, essa obra instiga a incerteza, nos conduzindo até um desfecho pra lá de esquisito, mas que, de alguma forma, preenche importantes lacunas deixadas pelo caminho.
Mãe solteira e de primeira viagem, Harper (Katie Parker) – com algum trauma no passado – chega com seu bebê de seis meses à casa da mãe, Sadie (Patricia Heaton), no sul do país. No início, tudo é uma maravilha, mas logo começa a perceber estranhos acontecimentos que a colocam em estado de alerta para manter a salvo tanto o bebê quanto a si mesma.

O roteiro nos leva para várias estradas, circulando temas como as reações emocionais de uma possível depressão pós-parto e o inexplicável do sobrenatural – com a adição de uma figura que personifica uma bruxa. Em 80 minutos de projeção, costura-se gradualmente um clima de tensão, entre silêncios e sons estridentes de pássaros, provocando a sensação de ameaça, algo que vai ao encontro da expectativa que todo bom suspense estabelece em sua narrativa.

A questão que pesa um pouco aqui não é técnica, é o discurso. A obra adota uma estratégia complicada, por meio de um malabarismo de imagens, que tenta se impor como elementos preponderantes para articular-se com o caos emocional estabelecido nos passos da protagonista. Escondendo a sete chaves o seu desfecho mirabolante, essa ação confunde quem assiste – o que parece ser o objetivo principal da narrativa – afastando do eixo central qualquer pessoa que ouse decifrar o final antes do tempo.

Imerso na confusão entre realidade e delírio, expondo a espiral de loucura de uma protagonista perdendo completamente o controle de suas ações, Harpía: Presença Maligna, disponível na HBO MAX, cisma em instigar a incerteza – algo que pode tanto agradar quanto afastar o público.



