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Crítica | Horror Sangrento – Indígenas lutam contra ZUMBIS em terror gore


Os povos indígenas vêm buscando representação e representatividade em todos os campos de atuação, e isso inclui o cinema. Após décadas sendo retratados como os pele-vermelhas no Velho Oeste que ou eram mortos, ou eram aliados dos mocinhos brancos, hoje os indígenas lutam para serem os protagonistas de suas próprias histórias, seja do gênero que for. Como por exemplo o recém-lançado nas plataformas de aluguel sob demanda no Brasil ‘Horror Sangrento’, um filme de terror gore slasher protagonizado e escrito por indígenas.

Na Reserva Indígena de Red Crow, coração da aldeia Crow, no centro dos Estados Unidos, o xerife Traylor (Michael Greyeyes) cuida da tranquilidade local, apesar de seus próprios filhos, Joseph (Forrest Goodluck) e Lysol (Kiowa Gordon), se meterem em confusão constantemente. Então, ele recebe um chamado esquisitíssimo: seu próprio pai, Gisigu (Stonehorse Lone Goeman), pescou salmões e, enquanto os estripava, percebeu que os peixes voltavam à vida! Em seguida, um cachorro que precisou ser sacrificado também voltou à vida, ao mesmo tempo em que o pequeno posto de saúde local começa a receber muitos pacientes mordidos que, subitamente começam a morder outras pessoas. Assim, em pouco tempo, uma horda de zumbis começa a se formar dentre a população da reserva, e Traylor irá precisar proteger os habitantes daquela terra sagrada.



Escrito e dirigido por Jeff Barnaby – que é indígena Mi’kmaq, que cresceu na reserva Listuguj, em Quebec, no Canadá –, ‘Horror Sangrento’ é o tipo de filme que pensa para além das pautas raciais e de luta, focando na criação de uma cultura de entretenimento que cuida e pensa na representação e na representatividade indígena em si, em qualquer tipo de narrativa e gênero, e isso é muito bom, especialmente quando percebemos a incrível oportunidade que é poder assistir a um filme assim aqui no Brasil.

Entretanto, o roteiro de ‘Horror Sangrento’ dá alguns saltos que perdem o espectador; por outro lado, faz umas interessantes transições de tempo através de estetização em animação, tal como uma HQ, fazendo referência à provável inspiração do filme: ‘The Walking Dead’. Entretanto, a direção faz cortes abruptos no enredo para mudar o núcleo abordado, como quem teve que editar o conteúdo filmado para caber em uma hora e meia de filme, prejudicando, assim, a continuidade da história.

Mas já que o que importa é o quesito terror gore e slasher, ‘Horror Sangrento’ é um prato cheio para os fãs do gênero: há diversas cenas de tripas sendo comidas por zumbis, sangue jorrando estilo anos 80, cabeças sendo decepadas e/ou cortadas ao meio por espadas e serras elétricas, enfim, de tudo um pouco para nenhum fã se sentir contrariado. Também a maquiagem e a atuação dos zumbis são bastante convincentes, inclusive os efeitos especiais dos salmões voltando à vida. Para quem curte, é um filme imperdível.

Horror Sangrento’ é uma boa opção do gênero que produz verdadeiras pérolas, apreciadas por um público muito seleto. O longa acerta ao misturar terror com um elenco e uma temática toda indígena, abrindo a possibilidade para muitas interpretações alegóricas desse entretenimento. Com muito sangue, tripas e zumbis para todos os lados, é um filme que irá agradar quem curte essas características em um filme de terror.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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