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Crítica | Inexplicável – Ator Mirim Surpreende em Comovente História Real


Tem coisas que nem mesmo o roteiro mais criativo consegue colocar numa história, pois a sequência em que ela ocorre muitas vezes fará o espectador duvidar da veracidade dos fatos, mesmo em casos de filmes ou histórias de ficção. Mas nem mesmo o roteiro mais criativo consegue superar o inacreditável que é a vida real – que, quando está inspirada, consegue colocar desafios realmente intrigantes na vida de uma pessoa. Algumas dessas histórias chegam ao grande público, geralmente por seu caráter inspirador e/ou inacreditável, como é o caso do longa ‘Inexplicável’, filme de drama brasileiro que recém chegou ao circuito exibidor nacional.

Gabriel (Miguel Venerabile) é um menino de oito anos fissurado por futebol. Ele é o capitão do time infantil da sua escola e hoje eles enfrentarão a partida mais importante do campeonato, porém, ao fim do jogo, Gabriel desmaia subitamente. Assustados, seus pais – Yanna (Letícia Spiller) e Marcus (Eriberto Leão) – o levam para a emergência, e descobrem que o filho está com um tumor no cérebro, que está impedindo a circulação de sangue normalmente. Temerosos, mas confiante na ciência e em Deus, os dois realizam o tratamento de Gabriel certos de que aquele seria apenas um desafio a ser superado em família. O que eles não poderiam imaginar é que aquele episódio seria apenas o começo de uma jornada delicadíssima que exigirá da família uma força que talvez eles não saibam que tenham.



Baseado em eventos reais (e, no subir dos créditos, fotos e imagens reais dessa família se mesclam à ficção, servindo de inspiração ao espectador), ‘Inexplicável’ tem bem aquela vibe de filme superação que tanto vemos Hollywood fazer, e a produção brasileira realmente não deixa nada a desejar se comparada com títulos similares ao de sua proposta, o que demonstra a qualidade do cinema brasileiro de atender a demandas de todos os gêneros.

O trio de atores principal mostra toda a sua competência em percorrer o arco dramático que vai se intensificando cada vez mais com o desenrolar do filme. Letícia Spiller está ótima, dá vontade de vê-la mais vezes fazendo cinema. Agora, quem realmente dá um show é o menino Miguel Venerabile. Como esse garoto sofre em cena, socorro! Todas as vezes em que ele aparece gritando de dor e chorando copiosamente, nossa… um coração se parte nos cinemas. Não é fácil interpretar esse tipo de papel, ainda mais sendo uma criança e sendo esta uma história real. Miguel é um menino para ficarmos de olho nos próximos anos.

Fabrício Bittar (cuja carreira se solidificou dirigindo filmes da turma, com viés da comédia de escárnio como ‘Como Hackear Seu Chefe’) surpreende na direção deste ‘Inexplicável’, principalmente nas cenas-chave que requerem maior intensidade dramática do elenco. Para que a carga de tensão não se tornasse demais, o diretor faz uma acertada escolha de alternar o foco para o viés da religião, que funciona no enredo como um alívio para o suspense que se torna a progressão da doença de Gabriel.

Inexplicável’ é um comovente filme que emociona até os corações mais duros. Uma história inspiradora de fé, superação e resiliência que tem tudo a ver com os desejos da maioria de nós nesse fim de ano.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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