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Crítica | Interestelar


Não consuma a ternura com apenas uma boa noite, sonhe, imagine e principalmente acredite, é real! Para alegria dos cinéfilos de todo o planeta, o cineasta norte-americano Christopher Nolan volta aos cinemas com mais um daqueles trabalhos impactantes que, dessa vez, vai deixar até o Stephen Hawking de cabelos em pé. Interestelar é um drama que mostra a saga da humanidade rumo ao desconhecido mundo das galáxias e da relatividade do tempo no espaço. Orçado em 150 Milhões de dólares e com câmeras Imax sendo utilizadas em grande parte das filmagens, o novo trabalho do espetacular diretor da lendária trilogia do homem morcego é mais um daqueles filmes eletrizantes que valem a pena serem conferidos numa sala de cinema.

Na trama, somos jogados a um futuro onde a Terra vem consumindo boa parte de suas reservas naturais, deixando o planeta em situação extrema. Assim, com o aval da extinta Nasa, no caso, um grupo de astronautas, liderados pelo ex-engenheiro e piloto espacial Cooper (Matthew McConaughey), que precisou abandonar sua família para seguir nessa viagem, recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Paralelo a isso, ainda na Terra, a filha de Cooper, Murph (primeiro Mackenzie Foy, depois Jessica Chastain, depois Ellen Burstyn), se jogará em sua própria jornada para tentar ajudar a terra.

O tempo é relativo? Todos temos medo do tempo? Qual a essência da vida? Interestelar apresenta argumentos que nos confundem quando pensamos nessas questões existenciais. O filme é difícil quando analisamos as teorias físicas implícitas. Até o físico teórico Kip Thorne foi chamado para auxiliar o roteiro, deixando o mais real e trivial possível cada ideia. O importante é que uma mensagem é dada de maneira genial, e avança muito além dos conceitos físicos do universo, fala sobre nós seres humanos e nosso modo de pensar. As inflexões no roteiro, deixam o público com o os olhos grudados em cada detalhe apresentado, conhecendo Nolan como conhecemos sabemos que esses detalhes farão a diferença no final da história.



Nolan, que é acostumado a realizar obras de grandes durações, consegue bater seu recorde pessoal com os 169 minutos de Interestelar, esse é o filme mais longo da carreira desse diretor único. As variantes desse ótimo roteiro levam o público a diversos momentos de interação. De ficção científica, pula para um drama e depois somos jogados para um suspense de tirar o fôlego. O cineasta, conhecido pelo seu perfeccionismo extremo, reuniu um elenco de primeira linha e escolheu o ótimo Matthew McConaughey (que após seu Oscar, emplaca um belo trabalho após outro) para o papel principal. Falando sobre o ótimo elenco, não tem como deixarmos de destacar os ótimos Casey Affleck e Matt Damon, além da bela Jessica Chastain, que possuem cenas brilhantes durante a fita.

Uma lição que fica dessa história é a de que o amor transcende espaço e tempo e se torna uma variável única nesse imenso e desconhecido universo que vivemos. Essência da vida? Poesia? Sim! Esse é um trabalho de um dos melhores diretores que já ligaram uma câmera e transformaram histórias em lendas. Temos muita sorte de sermos contemporâneos de Nolan, muita sorte. Mais uma vez, brilhante! Bravo!

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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