quarta-feira, fevereiro 21, 2024

Crítica | Jeanne du Barry – Ao lado de Johnny Depp, Maïwenn não convence como mulher sedutora da corte de Louis XV [Cannes 2023]

Filme assistido no Festival de Cinema de Cannes 2023

Se Johnny Depp não fosse o ator escolhido para protagonizar Jeanne du Barry, a produção não conseguiria o destaque obtido como filme de abertura do Festival de Cannes 2023. Mesmo tratando-se da histôria da França, a obra de Maïwenn sofre do pedantismo da cineasta e de sua falta de persuasão no papel de uma sedutora cortesã do século XVIII. 

Por outro lado, Johnny Depp sente-se à vontade na pele do rei Louis XV, conhecido como o “bem-amado”, avó de Louis XVI guilhotinado durante a Revolução Francesa. Com uma dicção perfeita do francês, o ator estadunidense promove um retorno às telonas com dignidade após torna-se persona non grata do cinema norte-americano, sendo demitido de franquias como Piratas do Caribe e Animais Fantásticos

Com roteiro capenga, ancorado em narrador onisciente em off, o longa conta em modelo fato por fato da infância pobre de Jeanne, sua educação pouco habitual a pessoas de sua condição social, sua ida e expulsão do convento e o estabelecimento da vida como cortesã por conta do seu gosto pelo sexo e seus poderes de sedução. Tudo isso nos é contado pelo narrador com algumas bonitas imagens, porque quando Maïwenn está em cena para encarnar a jovem Jeanne Bécu, nada disso é evidente.

Gravado nos domínios do Castelo de Versailles, a presença da corte tem o cenário correto, mas o estilo, a luxúria, os hábitos parecem decadentes na composição de Maïwenn. Após o radiante Maria Antonieta (2006) de Sofia Coppola, a junção de comédia a drama histórico com um toque autoral é possível, e bem-vindo, para resignificação de períodos históricos. 

O percurso autoral de Maïwen, no entanto, somente explora a si mesma em tela, com cenas de beijos e carinhos sem paixão e nenhum carisma. O mesmo problema de atuação é presente no seu primeiro longa apresentado em Cannes Polissia (2011). Como cortesã, Jeanne de Bécu era a preferida do rei, no filme, entretanto, ela retratada mais por ser a destestada de todos. Ao mesmo tempo que é altamente educada a ponto de despertar o interesse de “sábios” homens, a jovem comporta-se como uma pessoa ignorante e sem eloquência para lidar com as pessoas da corte. 

Embora seja a protagonsita do filme, a personagem Jeanne du Barry é apagada da reflexão sobre a sua vida de uma plebeia na corte ou de sua essência no meio daquelas pessoas. Jeanne passa de um acontecimento a outro e lida apenas com pequenas picuinhas. Todos os outros atores são meros coadjuvantes e espectadores do texto escrito por Maïwenn para Maïwenn.

Não deixe de assistir:

Apenas Benjamin Lavernhe, no papel La Borde, o fiel servo do rei, obtém alguns momentos de graça na narrativa. O romance de Jeanne e Louis XV é insípido, a história entre os dois não causa impacto; e a única coisa de interessante são os cenários naturais do belíssimo Palácio de Versailles. Quer ver uma historia de cortesã baseada em fatos reais com mais paixão (no entanto, menos recursos)? Assista o telefilme Em Luta Pelo Amor (1998), de Marshall Herskovitz, com Catherine McCormack (Veronica Franco) e Rufus Sewell (Marco Venier).

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Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Nascida no Rio de Janeiro e apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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