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Crítica | Karatê Kid: Lendas – Novo Filme da Franquia Equilibra Nostalgia e Novos Rumos


As grandes franquias de sucesso das últimas décadas do século XIX aos poucos vêm ganhando novos capítulos através de remakes, reboots e sequências que ajudam a trazer aquele universo de tanto sucesso para o público de hoje. Recentemente, na Netflix, a saga de Daniel San ganhou novos ares com a série ‘Cobra Kai’, que teve uma boa recepção de público. Uma vez que houve demanda do público, não era difícil de imaginar que outras possibilidades fossem pensadas para a querida franquia ‘Karatê Kid’, e a resposta não demorou a vir: a partir dessa semana estreia nos cinemas de todo o país o longa ‘Karatê Kid: Lendas’.

Li Fong (Ben Wang, de ‘Meninas Malvadas’) é um rapaz que ainda sofre de uma perda muito grande que teve em sua vida. Por conta disso, sua mãe (Ming-Na Wen) toma uma decisão radical: vão se mudar para Nova York, onde Li tem que se manter afastado das lutas. Mas é claro que isso não funciona porque já no primeiro dia na nova cidade ele sai para comprar pizza e conhece a jovem Mia (Sadie Stanley, de ‘Cruel Summer’), cujo pai, Victor (Joshua Jackson, de ‘Dawson’s Creek’) além de ser dono do estabelecimento, também é um ex-campeão de boxe undergroung em competições do bairro. Só que Joshua está devendo dinheiro para um agiota, e, para conseguir sanar a dívida e manter seu restaurante, ele pedirá ajuda para Li, para que o treine de modo a vencer essa grande luta.



De um modo geral, ‘Karatê Kid: Lendas’ é uma simpática diversão com sabor de nostalgia, entregando tudo que se espera de um novo episódio com a intenção de passar o bastão e manter a chama acesa na franquia: diálogo com a juventude atual, elementos épicos do passado, participações especiais (Jackie Chan como Mr.Han e Ralph Macchio como Daniel LaRusso) e uma intenção de expandir, seguindo possivelmente por outras vertentes.

Mas, ao mesmo tempo, o filme de Jonathan Entwistle acaba se enrolando na sua vontade, trazendo uma história que se desenvolve em outra e que se desenvolve em outra, o que acaba dando a sensação de que o filme é muito mais longo do que suas quase duas horas de duração. Essa escolha também faz com que o filme não solucione de maneira satisfatória algumas das questões que ele mesmo levanta, como o lance da tal dívida de Victor, que no final das contas vira apenas um gatilho para que Li se envolva em uma outra competição, contra Connor Day (Aramis Knight), que aparece desde o início no caminho do protagonista, mas que espera vários minutos para enfim acertar suas contas com o jovem chinês. Assim, fica a impressão de que o roteiro de Rob Lieber se juntou com outro roteiro para tentar condensar o melhor dos dois, o que resultou num filme com muita história para contar e pouco tempo para aprofundar.

Entretanto nada disso tira o brilho da diversão de ‘Karatê Kid: Lendas’, cujo protagonista Li Fong aguarda o momento certo para brilhar. Suas cenas de treino e de luta são belamente coreografadas e dá para perceber o empenho do garoto em fazer tudo parecer bonito ao espectador. Ben Wang tem talento e carisma na medida certa para carregar a franquia a outros ventos.

Entre a novidade e a nostalgia, entre o oriente e o ocidente, ‘Karatê Kid: Lendas’ entrega humor, ação e entretenimento bem pipocão mesmo para quem não viu nada dos outros filmes. Um bom filme de arte marcial para agradar a todos os públicos.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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