Crítica | ‘Kasa Branca’ – Um delicado recorte sobre amores, afetos e família [Festival do Rio 2024]

Partindo de um drama familiar e abrindo um leque de camadas contextualizadas por dilemas da vida, o longa-metragem Kasa Branca, que teve sua estreia no Festival do Rio 2024, é um passeio sobre verdades da realidade. Escrito e dirigido por Luciano Vidigal, de forma simples, objetiva e sem esquecer do bom humor, somos apresentados a carismáticos amigos, seus dramas e cotidianos.

Cena do filme 'Kasa Branca', de Luciano Vidigal
Cena do filme ‘Kasa Branca’, de Luciano Vidigal

Na trama conhecemos o jovem e gente boa Dé (Big Jaum) que está passando por um momento delicado. Sua avó, a única parente de seu presente, está numa estrada sem volta com a doença de alzheimer e, precisando cuidar dela, as contas só acumulam. Morador de um bairro de Mesquita, Chatuba, no Rio de Janeiro, ele resolve enfrentar esse momento vivendo o máximo de experiências com ela, contando com a ajuda de seus dois melhores amigos Adrianim (Diego Francisco) e Martins (Ramon Francisco).

Cena do filme 'Kasa Branca', de Luciano Vidigal
Cena do filme ‘Kasa Branca’, de Luciano Vidigal

O alicerce é a relação do protagonista com a avó. Abandonado pelo pai na infância, Dé se vê em um ponto crítico, sem dinheiro para o básico, prestes a ficar sozinho no mundo, se tornando refém do apenas sobreviver. Todo dia vendo o trem passar – um óbvio paralelo com suas memórias e na busca por algo que não o faça desistir e seguir em frente – acompanhamos sua história com um ritmo dosado, chegando nos demonstrativos de medos e aflições, esses, contidos em cada ponto da narrativa que, trazendo um assunto duro envolvido muitas vezes pela falta de esperança, traça suas reflexões sociais.

Cena do filme 'Kasa Branca', de Luciano Vidigal
Cena do filme ‘Kasa Branca’, de Luciano Vidigal

Tocando em temas delicados, que são amenizados pelas pausas dramáticas a partir da contagiante amizade dos três amigos e suas questões, esse é um filme sobre verdades. Indicando certeiros paralelos com o mundo real, não é esquecido uma contextualização que vão desde descasos do sistema de saúde pública, mílicia, a corrupção policial, até a falta de um facilitador via políticas públicas na compra de remédios caríssimos.

Cena do filme 'Kasa Branca', de Luciano Vidigal
Cena do filme ‘Kasa Branca’, de Luciano Vidigal

Como um cronista do cotidiano carioca, trazendo a força da simplicidade na estrutura narrativa, exemplificados por gestos de ternuras imensuráveis, Luciano Vidigal mostra que mesmo na falta de esperança é possível respiros. E ao transformar isso tudo num grande mar de reflexões numa tela grande a mensagem chega com força para todos que estão dispostos a conhecer, aprender e dar sua contribuição.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.