Crítica | Legítimo Rei - Épico sangrento segue a cartilha dos filmes de guerra

Crítica | Legítimo Rei - Épico sangrento segue a cartilha dos filmes de guerra

Nota:

Após o grandioso Coração Valente (1995), de Mel Gibson, o escocês David Mackenzie (A Qualquer Custo), retoma a história de independência da Escócia a partir do início do século XIV. Sendo um sucessor histórico do famoso épico, Legítimo Rei (Outlaw King) destaca a jornada de fracassos e vitórias de Robert the Bruce (Chris Pine) para tornar-se o autêntico rei da Escócia.

Após a derrota de William Wallace em batalha, Robert e seu pai (James Cosmos) juram obediência dos escoceses ao rei da Inglaterra Edward I (Stephen Dillane) em busca de restabelecer a paz no reino. Ele é apontado como guardião da Escócia junto com seu rival John III Comyn (Callan Mulvey) e, em gratidão a sua honraria, recebe o posto de coletor de impostos e uma esposa, Elizabeth Burgh (Florence Pugh), afilhada do rei.

Nesse contexto histórico, Legítimo Rei possui dois elementos fortes em sua narrativa. Primeiro, o romance entre Robert e Elizabeth, afinal a atriz Florence Pugh se sobressai em todas as suas cena como uma jovem determinada e corajosa. Segundo, a crueldade bárbara medieval, tanto nos momentos de luta, quanto do pequenos embates entre os homens do rei e o povoado. Ou seja, o filme cresce em momentos de romance e batalhas sangrentas, entretanto, os outros desenlaces da saga de Robert carecem de emoção.

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Com maestria, Mackenzie explora as belas paisagens escocesas, mas as encenações de invasões aos povoados aparentam serem risíveis. Justamente porque pretende-se mostrar que Robert avança em seu plano e é uma ameaça ao reino inglês, contudo a impressão é oposta. Com o dever de carregar o filme, a atuação de Chris Pine é regular e apresenta muito pouco das sensações do personagem. Apenas quando ele descobre que a sua esposa e a filha Marjorie (Josie O'Brien) foram aprisionadas, o seu rosto resplandece sua derrota pessoal.

Em contrapartida, o seu aliado James Douglas, vivido por Aaron Taylor-Johnson vocifera bravura, revolta e orgulho por toda a história, tendo mais relevância em cena do que o próprio protagonista. Os outros coadjuvantes não conseguem nenhum destaque, enquanto o antagonista Príncipe de Gales Edward (Billy Howle) é personificado como imbecil e hediondo. Um homem que tem coragem de destripar um aldeão, mas no meio da batalha implora por ajuda sem honra.

Como vilão, o personagem que virá a ser o rei Edward II é estereotipado e ao invés de ser um inimigo a ser temido, torna-se um tropeço no meio do caminho. Sem conseguir trazer a sensação de estupor da guerra naquele momento, Legítimo Rei segue um passo a passo das produções de época, com aldeias, castelos e lutas de espadas, mas perdendo o vigor.

Apesar da morte William Wallace servir de estopim para a revolta de Robert, o personagem histórico é representado apenas por um pedaço do seu braço, já esquartejado e espalhado pelos cantos da Inglaterra. O filme não consegue transmitir a verdadeira relevância de Robert the Bruce e a sua temperança em frente às consecutivas derrotas, as baixas na família e a descrença das pessoas.

Seu único grande momento é na última batalha, em que para encorajar o seu pequeno exército ele grita: “Conheço todos vocês como homens, mas hoje nós seremos animais ferozes”. Com 10 minutos de duração, a sequência não economiza no banho de sangue junto com o lamaçal do campo de batalha. Entre homens, armaduras, espadas e cavalos, é impossível distinguir os detalhes, mas os espíritos de hostilidade e triunfo são impressos fortemente.

Com um recorte de apenas um ano e meio, Legítimo Rei limita-se entre a morte de William Wallace e o começo da conflagração de Robert até a sua vitória que simbolicamente é o ponto de partida para o seu sucesso nos anos posteriores. Para finalizar este capítulo da história escocesa, Mackenzie destaca o reencontro do casal, celebrando a união do lutador triunfante e da mulher que passa meses pendurada em uma jaula ao relento em lealdade ao marido.


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