sábado, fevereiro 7, 2026
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Crítica | ‘Lilo & Stitch’ é um dos MELHORES remakes em live-action da Disney





O império da Walt Disney Studios não se sagrou como um dos maiores da sétima arte por qualquer razão: fosse pelas revolucionárias técnicas artísticas empregadas em títulos como ‘Branca de Neve e os Sete Anões’, ‘Fantasia’ e ‘Bela Adormecida’, ou pela renascença criativa que passou a partir de 1989 com ‘A Pequena Sereia’, a Casa Mouse sempre foi um antro de inspiração que reuniu os nomes mais habilidosos da sétima arte para criar espetáculos que continuam a atravessar gerações. E, por essa razão, não é nenhuma surpresa que os executivos por trás da companhia tenham resolvido, há um bom tempo, trazer suas clássicas animações ao novo público através de remakes em live-action.

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Entre altos e baixos, a Disney conseguiu acertar em releituras sólidas e bem-vindas, como foi o caso de ‘Cinderela’, ‘Mogli – O Menino Lobo’ e ‘A Bela e a Fera’, mesmo tendo escorregado com longas como ‘Pinóquio’ e ‘O Rei Leão’. E, depois do polêmico ‘Branca de Neve’, que se tornou um fracasso de público e dividiu a crítica internacional, era necessário que uma reformulação fosse feita. Qual foi nossa surpresa quando Lilo & Stitch, remake do clássico de 2002, foi anunciado como um dos novos projetos live-action do estúdio: reunindo um time muito competente e mantendo-se fiel à história original, a nova versão dessa comovente história funciona em quase todos os aspectos e se transforma em uma das melhores investidas da Casa Mouse nos últimos anos.

Para aqueles não familiarizados, o enredo é centrado em Stitch (cuja voz é cortesia de Chris Sanders), um alienígena azul criado por um cientista maluco e que, a princípio, deveria funcionar como a arma mais perigosa e mortal do universo. Porém, Stitch, também conhecido como Experimento 626, é condenado ao exílio pela Grande Conselheira (Hannah Waddingham), líder da União Federativa da Galáxia, por não ter nenhum traço de compaixão ou bondade. Conseguindo escapar, o alienígena entra em uma cápsula de fuga e vai parar no Havaí, escondendo-se do Dr. Jumba Jookiba (Zach Galifianakis), responsável por criá-lo, e do Agente Pleakley (Billy Magnussen), que conhece a cultura e os costumes humanos e responde aos pedidos da Grande Conselheira.

Passando-se por um cachorro, Stitch é adotado pela sonhadora e solitária Lilo (Maia Kealoha), que nunca se sentiu parte de um grupo de amigos e que mora apenas com a irmã, Nani (Sydney Elizebeth Agudong), após a morte prematura dos pais. E, enquanto Lilo se envolve em vários problemas, talvez como forma de lidar com a solidão constante ou com uma saudade que ainda não se curou, ela se vê completa a presença daquele estranho animal que parece movido a caos – mas que mostra ter o lugar no coração certo quando o assunto se volta para sua Ohana (família, como foi eternizado pela animação original).

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Dirigido por Dean Fleischer Camp, que ficou conhecido por seu trabalho na aclamada produção ‘Marcel the Shell With the Shoes On’, o live-action presta incontáveis homenagens ao filme do início dos anos 2000, porém, sem deixar de lado uma identidade que vai ganhando forma minuto a minuto. Camp sabe como trabalhar o material pelo qual fica responsável, transformando os costumeiros tropos da Disney em uma comédia dramática coming-of-age que lida com assuntos densos e complexos através de uma lúdica ambientação. Para além do conceito de Ohana, que não se refere apenas aos parentes de sangue, e sim aos inquebráveis laços que formam um núcleo familiar, temos incursões sobre perda e luto, resiliência, sacrifício e confiança – ainda mais quando nos voltamos às intermináveis batalhas que Nani enfrenta para manter a guarda de Lilo, mesmo que isso signifique colocar em suspensão seus sonhos e suas projeções.

Ao longo de quase 110 minutos, o roteiro assinado por Chris Kekaniokalani Bright e Mike Van Waes não apenas cumpre com o prometido, como aprofunda certas delineações que ultrapassam as nossas expectativas – em alguns momentos, inclusive, ultrapassando a qualidade da animação. O núcleo sci-fi do qual Stitch provém parte de premissas básicas do gênero e convergem para os dramas enfrentados por Lilo em sua realidade quase imutável, que parece se transformar por completo quando faz um pedido a uma estrela cadente (sem saber que o asteroide, na verdade, era a nave de Stitch em rota de colisão com a Terra). Dessa maneira, o choque de dois universos totalmente diferentes ganha cor e vibra em um espetáculo muito bem dosado para os espectadores – e cujas simples e funcionais escolhas artísticas nos lembram de obras como ‘Pequenos Invasores’ e ‘Planeta 51’.

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O elenco faz um ótimo trabalho, seja pelo comprometimento notável de Kealoha em sua bem-vinda estreia no cenário mainstream ou pela presença de nomes certeiros como Magnussen, Galifianakis, Courtney B. Vance como o agente federal Cobra Bubbles, e outros. O destaque, de fato, destina-se a Agudong, que rouba os holofotes com uma rendição espetacular como Nani, denotando as preocupações de uma irmã mais velha que foi obrigada a tornar-se mãe para cuidar de Lilo, arremessada em um arco de amadurecimento mandatório. Agudong, inclusive, encontra um merecido breakthrough que, com sorte, lhe garantirá papéis mais diversos num futuro próximo.

O remake em live-action de Lilo & Stitch é um bem-vindo acerto de uma das companhias mais prolíficas de todos os tempos – e após direções artísticas que, como bem sabemos, não funcionaram como deveriam. Com o coração no lugar correto e navegando por narrativas intensas através de uma remodelagem atenuada, a obra funciona em sua completude e nos emociona do começo ao fim.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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