Crítica | Little Monsters: Lupita Nyong’o estrela divertida e imprevisível comédia zumbi

Crítica | Little Monsters: Lupita Nyong’o estrela divertida e imprevisível comédia zumbi

Nota:


De todos os gêneros possíveis e imagináveis, o nome de Lupita Nyong’o não viria à mente em se tratando de filmes de zumbi. Com um público bem específico que saliva diante do canibalismo que as produções desse tipo proporcionam, a vencedora do Oscar não seria nossa primeira escolha para algo do estilo. Mas contradizendo as previsões e expectativas, é justamente o que ela faz, estrelando uma versão inusitada e, estranhamente, cômica de algo que beira a Todo Mundo Quase Morto. Little Monsters reúne crianças, cenas de sexo e uma inexplicável epidemia zumbi, em uma maçaroca que é, surpreendentemente, divertidíssima.

Se zumbis deixam as produções melhores ou não, isso cabe ao leitor decidir. Mas em se tratando de Little Monsters, somos pegos de surpresa em cada quadro, tamanha diversão eles e os demais personagens são capazes de proporcionar na trama. Desafiando a lógica e a construção habitual de roteiros, a comédia de humor negro, ainda estrelada por crianças (quem diria!), foge à todas as regras e entrega um banquete de sanguinolência, com cenas de nudismo e – contraditoriamente – uma inocência pairando no ar.

Na trama, Lupita vive a professora do Jardim de Infância, Srta. Caroline, que leva sua turma de pequenos alunos para uma excursão, que tinha tudo para ser só sorrisos, brincadeiras e diversão. Ela é acompanhada pelo músico frustrado Dave (Alexander England), que acaba de terminar um relacionamento e se encanta pelo carisma apaixonante da jovem professora de seu sobrinho. Lá, eles conhecem o famoso apresentador de programas infantis, Teddy McGiggle, vivido por Josh Gad, que garante a alegria dessa pequena turma de aventureiros. A atmosfera do dia de lazer muda drasticamente, quando uma epidemia zumbi toma a região, trazendo desolação em massa, iniciando a saga de sobrevivência dos personagens.

Dirigido e roteirizado por Abe Forsythe, a produção é simples em sua essência e narra em tempo real as longas horas de busca pela sobrevivência em meio ao caos. Ilhados em uma espécie de zoológico infantil, os protagonistas tentam escapar com vida, buscando alternativas das mais diversas. Em contraponto, a doce professora trabalha para garantir a paz das crianças, usando a criatividade como mecanismo de distração, fazendo os adoráveis alunos acharem que estão em meio a uma divertida competição. Com essa premissa tão simples, Little Monsters se torna o que é por construir uma sequência interminável de piadas. Fazendo da inocência infantil um excelente gatilho para o humor, o longa acerta em nos fazer rir, ainda que todos corram o sério risco de morrer.

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E embora esse não seja o papel da vida de Nyong’o, Little Monsters traz a atriz se divertindo como nunca, cantarolando com seu ukulele, repetindo incessantemente o hit Shake It Off para as crianças. Com mais outras referências da cultura POP, a produção é de uma leveza impressionante, firmada em um roteiro meio sem-pé-nem-cabeça, mas que ainda assim tem o seu valor. Com o charme dos atores mirins que nos deixam cheios de encantos por sua pureza e doçura, a comédia de terror/humor negro traz um contraste colossal, ao dividir suas cenas entre a violência visceral dos zumbis e a doçura infantil – gerando a impressão de que tudo não passa de um truque de mágica, a fim de preservar a leveza do coração dos pequenos sobreviventes.

Com ares extremamente independentes, a comédia é o tipo favorito do Festival de Sundance. Um espaço amplo para filmes de baixo orçamento, com ideias inovadoras e peculiares que jamais seriam produzidas por grandes estúdios, ano após ano o evento tem os seus underdogs do cenário do cinema alternativo. Em 2019, Little Monsters se apresenta como um deles, dividindo espaço com outros filmes que já passaram por aqui, como The Little Hours, O Idiota do Meu Irmão e Eu, Você e a Garota que Vai Morrer. Divertido do começo ao fim, a produção é uma surpresa genuína, te deixa na dúvida sobre até que ponto ela é boa, mas se encerra te levando à conclusão certeira de que ela é tão prazerosa, justamente por ser estranha pra caramba.

 



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