Crítica | Logan Lucky: Roubo em Família – Fábula de Robin Hood moderna

Corrida rumo ao sucesso

Enquanto realizador Steven Soderbergh produz um tipo de filme que, mesmo dentro de variados universos, está muito relacionado a uma técnica vista como objetiva. Não há farelos em seu roteiro, as informações sobre seus personagens e a narrativa onde eles se encontram são precisas e sua montagem, além de ágil, é repleta de exatidão.

No começo dos anos 2000, o diretor esteve à frente da famosa franquia Onze Homens e Um Segredo (2011) e suas continuações (2004 e 2007), onde é possível perceber uma América da perspicácia, mas sobretudo otimista. O lugar no qual seus personagens estão completamente capacitados e empossados das ferramentas para executar a ação, um otimismo poderoso.

Em seu mais recente longa, após filmes menos voltados para esse nicho, Soderbergh retorna ao bank robbery em Logan Lucky. Agora, através de personagens e situações menos otimistas seu longa se dá em uma nova América que visivelmente sofreu quedas e perdas, mas em seu povo mais profundo encontra o fôlego criativo para uma nova virada, uma retomada ao poder daqueles que foram atingidos por todas as repercussões de uma guerra.

Conhecemos Jimmy Logan (Channing Tatum),  pai divorciado que trabalha em uma empresa de manutenção de escavações, contudo ainda nos primeiros minutos de projeção Logan perde seu emprego por não ter se declarado manco de uma perna e aquilo representar um risco para empresa. Seu irmão, Clyde Logan (Adam Driver), um introspectivo barman que quase nunca encara aqueles com quem fala, perdeu seu antebraço durante a guerra no Iraque. Para completar a família Mellie Logan (Riley Keough) é a irmã mais nova e esteticista dedicada, um estereótipo fiel ao que se pensa visualmente sobre alguém voltado para estética e que queira demonstrar isso.

O trio não só forma uma família, mas uma que é conhecida por ser “amaldiçoada”, uma espécie de praga que os persegue, um azar que marcou a geração anterior e ao que parece- em um primeiro momento- está se propagando na atual. Mas é justamente através desses personagens que Soderbergh irá apontar a luz no fim do túnel americano. Jimmy é pai da jovem Sadie (Farrah Mackenzie) e nessa personagem não somente surge o impulso de Jimmy para os atos que irão se suceder, como também nela está impregnada a essência otimista sobre a nova geração.

A mãe de Sadie (Katie Holmes) tem planos de se mudar para um lugar distante, graças a nova posição do atual e bem sucedido marido no trabalh. E então Jimmy se vê desempregado, correndo o risco de ser afastado da filha e cercado por pessoas e ambientes que parecem desesperançosos. Porém, seu irmão Clyde – que já esteve preso- se recorda de Joe Bang (Daniel Craig), um presidiário habilidoso para assaltos com explosivos não convencionais. Tudo que se dá a partir da reunião entre Joe e os irmãos Logan é força demonstrativa do poder daqueles que até então pareciam condenados a uma vida ordinária.

O roteiro é creditado à Rebecca Blunt que – segundo as fontes atuais sobre o longa- pode vir a ser um pseudônimo, mas isso é tão instigante quanto as cenas e diálogos presentes em Logan Lucky, um filme que abarca o americano regionalista conhecido como redneck , pincela o mundo da Nascar e suas caricaturas e usa do inusitado para criar, ainda que muito pautado no fabulesco ao estilo Robin Hood. Um divertido e elegante blockbuster.

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Renato Marafon
Renato Marafonhttps://cinepop.com.br/
Editor-chefe e criador do site CinePOP, apaixonado por cinema e filmes.