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Crítica | Love, Death & Robots – Gatos, Invasão Alienígena, Elementos Fálicos e Red Hot Chilli Peppers Dominam 4ª Temporada


Há muito tempo que ‘Love, Death & Robots’ se tornou uma tradição para os assinantes da Netflix. Estreado em 2019, a coletânea de curtas de animação de todos os tipos cujos temas giravam em torno de, bom, amor, morte e robôs, caiu no gosto do público, principalmente o jovem adulto, com suas sátiras, estéticas distintas e proposta fora do comum. Não foi difícil imaginar que a produção iria perdurar, afinal, entre outras coisas ela também ajudava a apresentar novos estilos, novos animadores e novos traços ao espectador. Somando tantas características boas, chegou ontem na plataforma a aguardada quarta temporada da coletânea animada, com uma proposta um pouco mais… falocêntrica.

Dividida em dez episódios que variam entre cinco e dezessete minutos cada, com os títulos: ‘Cant’ stop’ (uma espécie de videoclipe da banda californiana Red Hot Chilli Peppers), ‘Minicontatos imediatos’ (uma invasão alienígena em miniaturas), ‘Spider Rose’ (guerra e sobrevivência interespacial), ‘Os Caras do 400’ (apocalipse distópico contra bebês gigantes), ‘A Outra coisa grande’ (um gato e um robô gerando a revolução), ‘Gólgota’ (invasão alienígena misturada com fanatismo religioso), ‘O grito do tiranossauro’ (um ‘Jogos Vorazes’ com dinossauros), ‘Como Zeke Entendeu a Religião’ (II Guerra Mundial), ‘Dispositivos inteligentes, donos idiotas’ (depoimentos de aparelhos domésticos), ‘Pois ele se move sorrateiramente’ (como um gato entrou em briga com o demônio).



Na quarta temporada de ‘Love, Death & Robots’ podemos observar alguns temas que circulam nos dez episódios: catolicismo e fé (‘Os Caras do 400’, ‘Gólgota’, ‘Como Zeke Entendeu a Religião’, ‘Pois ele se move sorrateiramente’), gatos (‘A Outra coisa grande’, ‘Dispositivos inteligentes, donos idiotas’, ‘Pois ele se move sorrateiramente’), rebelião e luta pela sobrevivência (‘Os Caras do 400’, ‘Spider Rose’, ‘A Outra coisa grande’, ‘Gólgota’, ‘Minicontatos imediatos’, ‘O grito do tiranossauro’, ), ‘Como Zeke Entendeu a Religião’, ‘Pois ele se move sorrateiramente’), falocentrismo (‘Cant’ stop’, ‘Minicontatos imediatos’, ‘Dispositivos inteligentes, donos idiotas’), aliens (‘Minicontatos imediatos’, ‘Gólgota’, ‘Spider Rose’, ‘O grito do tiranossauro’), eletrodomésticos (‘A Outra coisa grande’, ‘Dispositivos inteligentes, donos idiotas’). Como vemos, os episódios se interligam por um ou mais tema, com exceção do primeiro, ‘Can’t Stop’, que, apesar de muito legal, é só um videoclipe meio ‘N Sync de Flea e seu grupo, não tem nem história.

Também podemos observar as distintas técnicas de desenho nos curtas, desde aqueles que mais lembram as HQs (‘Como Zeke Entendeu a Religião’, ‘Os Caras do 400’, ‘O grito do tiranossauro’ e ‘Pois ele se move sorrateiramente’, todos em 2D), mais mangá (‘Spider Rose’ e ‘O grito do tiranossauro’), e animação em 3D (‘A Outra coisa grande’ e ‘Dispositivos inteligentes, donos idiotas’), sem mencionar os primeiros dois episódios, feitos em stop-motion.

Com técnicas e estilos diferentes, é a história de cada um que faz alguns episódios se destacarem em muito dos outros. De todos, os mais interessantes são ‘Como Zeke Entendeu a Religião’ (pela técnica utilizada e a criatividade da trama), ‘Dispositivos inteligentes, donos idiotas’ (criatividade e humor nos depoimentos), ‘A Outra coisa grande’ (pelo humor felino próximo da realidade), ‘Minicontatos imediatos’ (em stop-motion, e é o mais zoado de todos), ‘Pois ele se move sorrateiramente’ (pela criatividade, técnica e mescla temporal).

Mesmo sem trazer efetivamente nada extraordinário, a nova temporada de ‘Love, Death & Robots’ faz a manutenção dos fãs com histórias interessantes apresentadas em formatos distintos para agradar a todos. Continua sendo uma série relevante para público e para realizadores.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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