Ele está de volta às telonas. O queridinho da Gen Z, um dos rostinhos mais lucrativos da década volta a estrelar um filme em grande circuito – e, dessa vez, com reais chances de levar boa parte dos prêmios da temporada (inclusive, tendo já abocanhando o de Melhor Ator em comédia ou musical no Globo de Ouro). E, tendo recentemente visitado o Brasil em meteórica passagem durante a CCXP, o circuito exibidor está agora pronto para receber uma das grandes estreias da temporada: ‘Marty Supreme’, mais novo filme de Timothée Chalamet.

Marty Mauser (Timothée Chalamet, de ‘Duna’) é um mesa-tenista em ascensão e cheio de potencial, porém, sem patrocínio, vive infeliz como atendente numa loja de sapatos familiar. Mas Marty sabe que essa não é sua vida, e que todo esse papo de trabalho é perda de tempo para aquilo que realmente importa a ele: jogar tênis de mesa. E, com a aproximação do campeonato mundial no Japão, o jovem fará de tudo para conseguir arrecadar fundos para bancar os custos de sua viagem, mesmo que, para esse objetivo, ele tenha que atropelar algumas pessoas e deixar alguns princípios de lado.
Três são os principais pontos de destaque em ‘Marty Supreme’: a montagem, a edição e a direção. A combinação perfeita desses três fatores imprimir a velocidade certa para o desenvolvimento das cenas – tanto as de ação quanto as dramáticas –, fazendo com que a história ganhe o senso de urgência que o protagonista tanto clama, e, consequentemente, causando efervescência no espectador, que vai sentindo a agonia crescendo sem nem entender o que está acontecendo. A montagem da disputa final é quase tão primorosa quanto da cena mais dramática do longa, e são situações completamente diferentes, fotografadas diferentemente, inclusive. Ponto para o ótimo trabalho do diretor Josh Safdie.

Agora, o grande desafio é mesmo torcer pelo protagonista. Marty Mauser é simplesmente um cara odiável, um trator que não mede esforços em passar por cima de qualquer um para conseguir o que quer, pois apenas seus desejos e seus objetivos é que importam. No meio do caminho, se alguém se machucar, é uma triste coincidência, afinal, numa disputa, só os fortes prevalecem. Essa obstinação cega muitas vezes faz com que o espectador se distancie do protagonista e o enxergue em sua real natureza: a de um cara mesquinho, pequeno, machista e não merecedor de seu talento nem de seu sucesso. É aí que entra o ótimo trabalho de Timothée Chalamet, dando tudo de si para empregar algum carisma a esse sujeitinho traiçoeiro chamado Marty Mauser.
No universo conturbado e decadente de onde surge o protagonista, uma joia bruta brilha em ‘Marty Supreme’: é a jovem Odessa A’zion, tão estonteante com sua beleza hipnotizante quanto com sua atuação potente enquanto uma mulher iludida e apaixonada em meio ao abandono emocional. Seus berros de dor ecoam para além do fim da cena e ofuscam completamente a participação de Gwyneth Paltrow neste filme.

‘Marty Supreme’ não é um filme fácil, nem bonito. E mostra, entre outras coisas, como que para vencer na vida não basta ter talento, e sim ter muito claro até onde você está disposto a ir para conseguir realizar os seus sonhos, as suas vontades. Para uns, como Marty, há sempre mais um fundo embaixo do fundo do poço, onde se perde um pouco mais de humanidade. Pois para cada vitória, há muito sacrifício por trás.



