Um reality que se apresenta como um documentário. Apostando nessa fórmula, a nova minissérie da Netflix Matchroom: Lendas do Esporte nos mostra os bastidores de um negócio de família que busca voos mais altos com a entrada de um investidor poderoso. Entre representações de esportistas em ascensão e a produção de eventos com alto alcance de público, acompanhamos o cotidiano dessa empresa – seus fracassos e suas vitórias.
Ao longo de seis pulsantes episódios, somos apresentados a cada peça desse tabuleiro de poder do entretenimento britânico, com olhares mais próximos para pai e filho – Barry e Eddie. O primeiro vive a caminhada eminente de passagem de trono, enquanto o segundo segue na eterna busca por reconhecimento.

Uma empresa multimilionária do ramo de eventos esportivos: essa é a Matchroom, criada por Barry Hearn nos anos 1980. Com a trinca boxe, a sinuca e os dardos como carros-chefes, sendo esta última modalidade a mais rentável (pasmem!) -, a série mostra funcionários lapidados para serem grandes gestores, alinhados com as conviccões e lema da empresa. Dentro do discurso da minissérie, o empreendedorismo se mostra fortemente presente, compondo a essência de cada episódio.

Pensando em produto audiovisual, há muitos méritos na narrativa criada – que foge da primeira impressão de ser uma autopromoção. Ótimos ganchos entre os capítulos nos levam para diversos caminhos, que se concentram nas decisões profissionais, mas não deixam de mencionar – mesmo que na superfície – o impacto do trabalho na vida pessoal de todos eles. Algo que alcança boas reflexões pra quem segue o lema ‘Workholic’ nesse mundo tão dinâmico e pautado pela produtividade.

Com o novo mercado batendo forte à porta, decisões precisam ser tomadas – e acabam guiando os capítulos finais dessa jornada. Nesse ‘Succession’ da vida real, encontramos histórias que se entrelaçam e nos transportam para os bastidores de uma empresa de sucesso. Tudo isso é conduzido de forma envolvente, sustentando o interesse pela narrativa. Facilmente você vai querer maratonar.
