Para qualquer brasileiro, Mauricio de Sousa é um nome que dispensa apresentações. Mais conhecido como o criador da Turma da Mônica, o quadrinista viu sua obra ser continuamente adaptada para as telinhas e para as telonas, tendo levado milhões de espectadores aos cinemas nesta década com as últimas adaptações da turminha para os cinemas. Dessa vez, entretanto, é a vida do artista que virou enredo de um filme, que gerou burburinho desde quando anunciado na D23 e que chega ao circuito nacional no próximo dia 23 de outubro, data em que Mauricio celebra seus 90 anos. Preparem-se para se emocionar com ‘Mauricio de Sousa: o Filme’.

Aos oito anos o jovem Mauricio (Diego Laumar) descobre o universo das histórias em quadrinhos e começa a sonhar com uma realidade onde a imaginação toma conta. Essa ideia fixa percorre toda a sua vida até que, já adulto, decide se mudar de Mogi das Cruzes para a capital São Paulo, onde pretende correr atrás do seu sonho de se tornar quadrinista nos jornais. Porém, a realidade é um pouco mais avassaladora do que seus desejos, e manter sua família com Marilene (Thati Lopes) e suas três filhas faz com que Mauricio tenha que se adaptar na capital paulistana, trabalhando na coluna policial do jornal. Entre boletos e responsabilidades, Mauricio aos poucos vai conseguindo espaço para suas desenhos, e, assim, aos poucos, começam a surgir os personagens que conquistariam os corações e os olhos de milhões de brasileiros ao longo dos anos por vir.
Baseado na biografia do homenageado, ‘Mauricio de Sousa: o Filme’ é uma história fofa, positiva e para toda a família. E talvez esse tenha sido o maior desafio da produção, afinal, como agradar a todo mundo de uma vez só? Para tal, o roteiro opta por contar a trajetória do biografado sem demonstrar nenhum momento ruim, nenhuma inquietação: todos os desafios são rapidamente solucionados com uma grande boa ideia, uma sugestão mirabolante, um pensamento positivo. Se por um lado esse tipo de narrar torna o filme mais palatável para os pequenos, para o público adulto (que cresceu lendo os gibis e hoje são pais e mães de família) pode soar meio fantasioso demais, tudo muito fácil, como se não tivesse havido momentos de questionamento, de perrengue.

Ter conseguido Mauro Sousa embarcando nesse projeto é, sem dúvidas, o maior acerto e o grande forte do filme, não tanto pela sua semelhança física óbvia, mas, acima de tudo pelo grande carisma do ator. Mauro consegue tirar o peso de tudo com um bom sorriso amigável, uma voz suave e uma expressão de quem saiu direto das HQs do avô. Não fosse uma pessoa real, diríamos que ele teria sido fruto da imaginação do Mauricio de Sousa.
São os aspectos técnicos que chamam a atenção no filme, para além da trama. Toda a ambientação do longa encontra equilíbrio na direção de arte, no figurino e nos cenários, transportando o espectador de volta aos anos 50 e embalando-os por uma sonoplastia bem quadrinesca e uma voz em off do narrador (Mauro Sousa), o que envolve o filme em uma edição e montagem que acompanham o estilo HQ. Todos os aspectos foram pensados nesse universo dos quadrinhos, o que demonstra a dedicação o diretor Pedro Vasconcelos em ambientar seu filme no formato que seu biografado mais gosta.
‘Mauricio de Sousa: o Filme’ é um bom começo, só que deixa muito o sabor de quero mais, afinal, são 90 anos e mais de 400 personagens para encaixar em apenas uma hora e vinte de longa. Um filme bonito, inspirador e que abre as portas para que os brasileiros possam visitar o mundo daquele que criou tantos mundos para a gente sonhar.

