Crítica | Medo Viral: Terrorzão meia boca que não convence com uma sucessão de jump scares

Crítica | Medo Viral: Terrorzão meia boca que não convence com uma sucessão de jump scares

Nota:

A tecnologia tem redefinido as relações humanas e, naturalmente, suas consequências e desdobramentos são aromas atraentes para o cinema. E abrir o debate para o nosso profundo envolvimento com as redes sociais, aplicativos interativos e outras ferramentas digitais é válido, rende bons filmes e uma série de discussões complexas intermináveis. No entanto, usá-lo como um mero artifício argumentativo raso é tão blasé quanto entupir um filme de terror com jump scares que tampouco te fazem pular, muito menos se assustar. Medo Viral se encaixa em ambas as categorias, onde o clichezão com produção B faz as vezes de um roteiro onde a trama tenta se estruturar sozinha, mas desmorona por tornar suas poucas referências uma cópia barata de clássicos do gênero.

O longa dos irmãos Abel e Burlee Vang não diz muito. Sem uma trama engendrada, encontramos um grupo de cinco amigos tentando lidar com a súbita e inexplicável perda de uma de suas companheiras. O luto é acompanhado por um estranho convite para acessar um aplicativo que, aos moldes da Siri do IOS, tenta se comunicar com seus usuários, desenvolvendo uma espécie de relação de proximidade - com um leve toque de Ela (2013). A ferramenta, que aparentemente tem o inconcebível poder de sincronizar todos os aparelhos tecnológicos de uma única residência, ainda que eles não possuam nenhum vínculo como manda a integração digital, é também uma entidade mortal e se apropria dos maiores medos dos internautas - exatamente como Pennywise o faz em It: A Coisa (2017).

Se transformando em criaturas misteriosas que ora se assemelham a seres assustadores, ora se moldam a figuras quase humanas com feições distorcidas, o terror não convence nem na sua estética, nem na tensão que tenta gerar. Incapaz de desenvolver uma atmosfera onde o suspense pelo desconhecido seja a força motriz da angústia na audiência, Medo Viral é uma produção “cansada”, com um elenco um tanto inexperiente, que deveria reter as aflições da trama - uma vez que a censura impede qualquer morte gráfica. Sem saber conduzir o ambiente, o filme se perde em protagonistas com quem pouco nos importamos, focando sua história em um aplicativo que não sabemos de onde veio ou para onde vai.


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Aleatório, Medo Viral traz algumas alegorias a fim de fazê-las funcionar como referências a alguns clássico. A inesperada presença de um viçoso balão vermelho - bem Pennywise - é aquém ao seu objetivo inicial e gera estranheza por soar como uma quase apropriação de um elemento particular de um dos personagens mais amados e respeitados do gênero do terror. Os jumps scares são exaustivos, paralisam a narrativa consecutivamente e não despertam absolutamente nada que não seja um desprezo pelo tempo perdido, que não voltará mais. Com sustos apáticos e até mesmo desconexos, a produção é incapaz de construir a tensão em um único momento sequer, como quando um de seus protagonista é cercado pela imensidão de um estacionamento vazio, sob os olhos de um câmera ágil. O instante que anunciava o possível crescimento da produção é efêmero e deixa a audiência a ver navios.

Escrito pelos irmãos Vang, Medo Viral poderia até construir uma consistência a partir de uma premissa original louvável. Mas por fazer tudo tão na base do improviso, as quase 1h40 de filme são evasivas, desnecessárias e incapazes de pelo menos render aqueles pequenos sustos. Com uma direção simplista e ausência absoluta de sangue, o terror foge o gênero, não convence e frustra profundamente os amantes de um belo horror psicológico que até nutriam uma certa esperança.

 


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