Celebrando a carreira de um dos maiores jornalistas de nosso país, o documentário Mestre Zu chega apresentando uma vida dedicada a um ofício que vem se transformando com o passar do tempo. Seja em uma conversa informal em um sofá de um apartamento, por meio de lembranças de suas obras e grandes reportagens ou nos próprios depoimentos ao longo do tempo, Zuenir Ventura é apresentando de muitas formas. Ao longo de 70 minutos de projeção, a obra dirigida por Zelito Viana atravessa a história do próprio jornalismo.
Nascido na década de 1930, teve na mãe um importante pilar para toda a sua formação. Fã de Albert Camus, ajudou o pai em bicos como pintor, se formou e chegou a importantes editorias brasileiras, tornando-se também professor. Esse cronista de olhar apurado ganha aqui uma camada, revelando seu lado humano. A dedicação ao trabalho e a generosidade viraram suas marcas, fazendo dele uma unanimidade em sua profissão.

Vários depoimentos de jornalistas consagrados e pessoas que o conheciam profundamente nos ajudam a entender seus dois lados: o homem e a lenda de um importante ofício. Sua história vai de encontro com anos turbulentos de nosso país – preso pela ditadura, enfrentou esse período sombrio -, enquanto suas contribuições estacionam em seu legado até hoje.

Em suas reportagens mais emblemáticas, algumas aqui apresentadas, está a que realizou sobre Chico Mendes, quando partiu para a região norte de nosso país e cobriu todo o desenrolar do assassinato do ambientalista. A reportagem deu origem a um aclamado livro Chico Mendes: Crime e Castigo. Também são mencionadas as reportagens sobre a chacina de Vigário Geral, que expõem questões sociais importantes em um Rio de Janeiro despedaçado – hoje, cada vez mais.
Entre depoimentos, imagens e vídeos, o documentário busca um dinamismo através dos fatos. Sem romper tanto a superficialidade, a obra traz apenas breves menções, não se aprofundando em diversos temas que se apresentam como fundamentais de sua trajetória. Há informações interessantes sobre muitos pontos mencionados, mas uma pesquisa complementar será necessária. É como se fossem as primeiras páginas de um livro que conta uma história tão rica que, em apenas 70 minutos, fica difícil de encaixar.
Imortal da Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura faleceu em setembro deste ano, aos 95 anos. Mestre Zu celebra sua vida e carreira, deixando com aquele gostinho de quero mais.


