Crítica | Miley Cyrus e Dua Lipa encarnam The Runaways no frustrante single disco-punk “Prisoner”

Miley Cyrus elevou nossas expectativas a níveis indescrítiveis quando mergulhou de cabeça nos anos 1980 com “Midnight Sky”, lead single de seu vindouro e aguardado álbum ‘Plastic Hearts’, que será lançado no próximo dia 27 de novembro em todas as plataformas digitais.

Resgatando, da mesma maneira que diversos outros artistas neste ano, a essência gritante e vibrante das últimas décadas do século passado, Cyrus abria as páginas de um novo capítulo de sua carreira, prestando homenagens aos icônicos nomes que influenciaram sua carreira – Joan Jett, Debbie Reynolds e muitas outras. E, para nos manter atentos à iminente estreia de seu próximo compilado de originais, ela se reuniu com Dua Lipa (dona de uma das obras mais aplaudidas de 2020, ‘Future Nostalgia’) para o nu-disco-punk “Prisoner”, uma relativamente sólida construção que nos frustra por um refrão sem vida e previsível.

Cyrus encontrou sua maturidade ainda quando nos apresentou ao subestimado ‘Bangerz’, mas não seria até o estouro de uma pandemia catastrófica que acharia sua verdadeira e potente voz num período não muito distante de nós. Já ficou bem óbvio que ‘Plastic Hearts’ terá alusões saudosistas diversas ao longo de 12 faixas inéditas – e “Prisoner” não fica longe disso: a canção já começa com progressões oitentistas que nos arremessam de volta à lendária Olivia Newton-John e ao seu hino workout “Physical”.

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Adornado com potentes sintetizadores que se estendem ao longo de quase três minutos, Cyrus está no auge de sua lírica pessoal, não pensando duas vezes antes de fazer críticas à sua própria vida e mostrar o dedo para quem lhe fez de prisioneira. Não é surpresa que ela e Dua, em um dos melhores videoclipes do ano, encarnem a dupla The Runaways com paixão sangrenta (literalmente), flertando uma com a outra enquanto fogem de seu passado e avançam ao futuro.

Entretanto, a perfeição dos versos com o instrumental synth-punk, aliado à bateria e ao longínquo baixo, é posta em xeque ao arquitetar um crescendo que, bem, não vai a lugar nenhum. É notável as incursões a que Cyrus se presta a dar ao público, mas se restringir a um exórdio já apresentado foi escolha arriscada – e eventualmente errônea, no final das contas. De qualquer forma, “Prisoner” passa longe de ser uma música ruim, e sim uma canção frustrante por não desejar ir mais longe do que poderia.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.