sábado, fevereiro 7, 2026
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Crítica | Milton Bituca Nascimento – Documentário Ilustra Músico Brasileiro Pelos Olhos de Seus Admiradores [Mostra de Cinema de Tiradentes]





Milton Nascimento. Nascido no ano de 1942, é o carioca mais mineiro de todos. Ainda na infância, mudou-se do Rio de Janeiro para Minas Gerais, onde estabeleceu residência e onde permanece até hoje. Considerado por muitos uma das vozes masculinas mais lindas do país, o multiartista, cantor e compositor também teve sua arte enxergada por artistas de outras partes do mundo – e é esse olhar, o de seus admiradores, que dão o tom do documentárioMilton Bituca Nascimento’, que teve sua pré-estreia mundial na 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes e que chega ao circuito nacional a partir do dia 20 de março (com sessões antecipadas em Minas na semana prévia).

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No ano de 2022 Milton Nascimento saiu, com sua banda, em uma mega turnê mundial intitulada “A Última Sessão de Música”, anunciada como a turnê de despedida dos palcos de Bituca. Com o anúncio, milhares de pessoas correram para conseguir ingressos. Na coroação dessas últimas apresentações, surge o documentárioMilton Bituca Nascimento’, que acompanha justamente a última parte do giro do artista, passando pelos Estados Unidos, Europa e culminando na derradeira apresentação em Belo Horizonte.

Por cerca de duas horas o espectador acompanha dezenas e dezenas de músicos darem depoimentos sobre Milton Nascimento. Neste ponto, impressiona a profundidade da pesquisa da equipe, que conseguiu coletar imagens de artistas dos mais variados segmentos, desde o cineasta Spike Lee ao cantor Fito Páez, passando pelos brasileiros Simone, Ivan Lins e Gilberto Gil. Rolou até mesmo depoimento de Chico Buarque reagindo à sua imagem no palco com o homenageado (imagem esta que virou meme na internet, o que é genial da equipe de pesquisa). Passeando por diversas fases da carreira do cantor, já no terço final a diretora Flavia Moraes abre espaço para artistas mais novos que também admitam Bituca, como Maria Gadú, Criolo e Mano Brown, passando, inclusive, pelos músicos que compõem a banda do homenageado.

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Mas, com tanta gente dando depoimento, é de se esperar que haja pessoas que aparecem ali que são desconhecidas do grande público, principalmente dentre os estrangeiros (muitos dos quais os nomes não aparecem na primeira aparição deles e delas na telona). Também com tanto depoimento, às vezes o papo fica repetitivo, de modo que quando aparece o próprio Bituca intervindo, a atenção do espectador é reconquistada.

Uma vez que acompanhamos as últimas apresentações do cantor, também vemos pedaços de seus shows em outros países, com convidados internacionais (dentre os quais, Esperanza Spalding, a cantora que o acompanhou no Grammy essa semana). De show em show, o espectador consegue ouvir partes das músicas principais do artista, mas, nenhuma das canções é tocada inteiramente, o que pode gerar certa frustração.

Com muito, mas muito conteúdo e grande produção, que incluiu imagens aéreas do último show de Milton, o belo documentárioMilton Bituca Nascimento’ é extremamente técnico e traça um perfil do Milton artista pelos olhos de seus famosos admiradores artistas. Por essa escolha, saímos do documentário sem saber muito sobre a história de vida do homenageado, mas, ao mesmo tempo, saímos com a sensação de que é um artista extraordinário, inexplicável e cuja técnica é incompreensível, posto que inalcançável. É uma bela homenagem dos colegas de música que se inspiram em Bituca, com emocionantes imagens de sua última turnê. Um cantor único, para ficar guardado do lado esquerdo do peito.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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