Crítica | Minka Kelly e Tom Wozniczka brilham na adorável rom-com natalina ‘Borbulhas de Amor’

Em ‘Borbulhas de Amor’, Minka Kelly interpreta Sydney Price, uma ambiciosa executiva estadunidense que se vê diante de uma oportunidade única quando é selecionada por seu chefe para representar a The Roth Group na compra da Champagne Chateau, um importante vinhedo francês que está sendo cobiçado por diversos grupos interessados em adquirir a marca. Antes de sua viagem, Sydney promete à irmã que não se afogará no trabalho e que tirará pelo menos uma noite para se divertir em Paris, a cidade mais romântica do planeta. Mesmo a contragosto, ela aceita o pedido e, assim que chega ao hotel, decide tirar essa tarefa de sua lista antes de concentrar na apresentação de seu projeto para conseguir o contrato.

Ao visitar a pequena livraria conhecida como Les Etoiles, Sydney cruza caminho com um charmoso homem chamado Henri (Tom Wozniczka), que imediatamente se encanta pela beleza da turista americana e que chama a atenção da nossa protagonista. Sydney cede aos encantos do estranho e aceita conhecer a capital francesa tomada pelo clima natalino, apaixonando-se à primeira vista e sendo correspondida por completo. O que ela não imaginava é que Henri é filho de ninguém menos que Hugo Cassell (Thibault de Montalembert), dono da Champagne Chateau e herdeiro do império de bebidas. A partir daí, os dois navegam entre sentimentos crescentes que se misturam com dois lados opostos de uma mesma moeda – lançando-os em um tour-de-force romântico e muito bem espirituoso.

Assim como diversos outros títulos de fim de ano da Netflix, ‘Borbulhas de Amor’ não falharia em nos encantar com uma história cândida, honesta e adorável, acompanhando outras rom-coms que a gigante do streaming lança ano após ano. Todavia, há uma certa originalidade artística que se apodera do projeto e que se vale da ótima química dos protagonistas e dos coadjuvantes para usar as fórmulas do gênero a seu favor e nos engolfar em uma despojada narrativa que se estende por pouco mais de noventa minutos. E, apoiando-se numa estética dupla que singra entre a vibrante atmosfera urbana de Paris e o idílico e onírico panorama interiorano do Château de Cassel, o belíssimo casarão da família a que Sydney e os outros “competidores” da marca são convidados, o filme entrega o que promete sem se estender demais e sem se render a uma seriedade desnecessária.

A gigante do streaming parece estar acertando na escolha dos diretores de seus projetos de fim de ano: afinal, Michael Fimognari ficou responsável por ‘Feliz Assalto!’, que chegou recentemente ao catálogo do serviço, e fez um ótimo trabalho ao retornar para o mundo das comédias românticas; agora, chegou a vez de Mark Steven Johnson voltar a esse adorado universo depois de ter trabalhado com a plataforma em ‘Amor em Verona’ e ‘Amor Garantido’. Ainda que se valendo das conhecidas jogadas panorâmicas para reiterar o escopo quase fabulesco dos cenários, além do campo-contracampo que une os protagonistas em um familiar arco amoroso, Johnson faz um trabalho prático e seguro – que não foge do óbvio, mas se mantém pragmático como deveria.

Responsável também pelo roteiro, o realizador fornece ritmo através de diálogos rápidos e emulativos que acompanham os arquétipos que os personagens representam: para além de Sydney e Henri, temos Brigitte Laurent (Astrid Whettnall), uma executiva francesa que acredita que a tradição é a maneira certa de salvar o legado do Champagne Chateau; Otto Moller (Flula Borg), um empresário alemão com poucas habilidades sociais, mas com o coração no lugar certo; e Roberto Salazar (Sean Amsing), um vibrante festeiro que não entende nada do mundo dos negócios, mas sabe como viver a vida ao máximo. Cada um deles ajuda a compor essa atmosfera improvável que se vale de uma sutil e precisa imponência e que é explorada na medida certa.

Navegando por clichês inescapáveis, Kelly e Wozniczka escapam dos tropos lovers-to-enemies-to-lovers que poderiam pincelar a relação entre os dois para uma história amadurecida e que parte da honestidade e da integridade do que representam. Mesmo defendendo seus ideais e permanecem leais a um caráter intrínseco aos arquétipos que representam, os personagens são passíveis de erros – e isso só é possível com o ótimo trabalho dos atores, que explodem numa química apaixonante e que reitera o espírito natalino que vem se apoderando dessas últimas semanas do ano.

‘Borbulhas de Amor’ pode até ter seus erros, mas funciona como o esperado e chama nossa atenção por colocar as fórmulas das comédias românticas dentro de um espectro mais adulto e mais esperançoso. Prestando homenagens a incontáveis clássicos do gênero, o filme acerta onde deve e nos encanta com sua natural modéstia.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.