sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Crítica | Morte a Pinochet – Suspense Chileno retrata a angústia de um grupo que QUASE mudou o rumo da história



Nada que possa ser criado na ficção jamais superará as coisas que acontecem na vida real. Não raro os roteiristas ouvem que determinada situação/cena parece inacreditável, forçada, porque na vida real elas não aconteceriam de verdade. A capacidade do ser humano de cometer crimes terríveis contra outros seres humanos (e contra a Natureza também) é imensurável, e muitas vezes ocorre em nome de uma ideologia, uma política que cega e doutrina um grupo de pessoas que detém o poder de tudo e, em nome desse poder, se auto-autorizam a cometer todo tipo de crime. Isso ocorreu no período ditatorial do Chile, entre os anos de 1973 e 1990. E, durante quase vinte anos, a população local sofreu todo tipo de restrição e violência. Mas não sem lutar contra. A história de um desses grupos que deu a vida para tentar mudar o rumo da história do país chega a partir dessa semana aos cinemas brasileiros, através do filme ‘Morte a Pinochet’.

Em setembro de 1986 um grupo de jovens teve nas mãos a oportunidade de mudar o destino de um país: acabar com a ditadura de Pinochet, matando-o. Para tal, Ramiro (Cristián Carvajal), ex-professor de educação física que se dedicou à luta armada; Sacha (Gastón Salgado), jovem humilde de Santiago, e Tamara (Daniela Ramírez), psicóloga que deixou sua família de classe alta para viver na clandestinidade e se tornou a única mulher com posto de comandante na Frente Patriótica decidem se isolar de tudo e de todos para bolar um plano que consiga, de uma vez por todas, acabar com a ditadura que assola o país, derrubando o líder . Sob a ideia de que tudo que fazem é um ato de amor, o grupo irá treinar com afinco com um objetivo comum – matar a Augusto Pinochet

Baseado na história real de um ataque organizado por um braço armado do Partido Comunista Chileno, Morte a Pinochet’ chega aos cinemas brasileiros com o importante papel de jogar luz sobre um período histórico que, ainda que seja de um passado recente, já ocorreu há quase cinquenta anos, e, portanto, começa a ser esquecido ou desconhecido pelas novas gerações. Assim, o filme centra seu enredo nas reflexões pessoais de seus personagens principais, especialmente Tamara, cujas observações também funcionam como fio condutor do enredo. 



Enrique Videla, Pablo Paredes e Juan Ignacio Sabatini tecem o roteiro de maneira introspectiva pelo ponto de vista da única mulher em comando no grupo, mas cuja vida prévia era de privilégios e, portanto, distante da realidade do restante de seus companheiros. Ao alternar o foco a partir da metade do longa, o que temos como sensação em ‘Morte a Pinochet’ é o tom melancólico que se imprime, focando mais no abandono espontâneo desses personagens às suas próprias vidas do que em um imersivo sentimento de revolução ou de revolta diante dos horrores vividos pela população.

Morte a Pinochet’ é uma importante ferramenta para que os cinéfilos brasileiros obtenham mais conhecimento sobre o duríssimo período da ditadura no Chile, e, portanto, cumpre seu papel. Mas, enquanto ficção, faltou conexão com o espectador.

Não deixe de assistir:

Assista TAMBÉM:

Últimas Notícias

Vaza novo trailer de ‘Pânico 7’ CHEIO de cenas inéditas

'Pânico 7' tem um novo trailer sendo exibido nos...

Se sobreviver, conta depois: 10 filmes ou séries para a sexta-feira 13

Está chegando a primeira das três sextas-feiras 13 que...

10 Filmes pra ESQUECER do carnaval

A folia do carnaval nem começou e você já...

Clima de tensão no novo teaser de ‘Maldição da Múmia’

'Maldição da Múmia' (Lee Cronin’s The Mummy), uma versão...

10 Comédias Adolescentes para você assistir durante o Carnaval

Carnaval chegando e bate aquela nostalgia... Se você estiver...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.