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Crítica | ‘Morte e Vida Madalena’ – Guto Parente transforma metalinguagem em poesia, guiada pelo brilho de Noá Bonoba [CineBH 2025]


Inspirado em algumas histórias reais que o diretor Guto Parente escutou ao longo dos anos na sua vasta carreira no cinema – já são 11 longas-metragens no currículo – Morte e Vida Madalena, de maneira acertiva, e com uma narrativa pulsante ligada ao tragicômico, explora os caminhos e infinitas possibilidades da metalinguagem para expor os perrengues de uma profissão.

Selecionado para a Mostra Vertentes do CineBH 2025, o projeto – que já passou com grande sucesso por outros festivais de cinema este ano – é uma jornada que usa da melancolia debochada para apresentar ilustrações do cotidiano caótico de uma produção cinematográfica – algo pouco compreendido por quem não é do meio. Essa narrativa é impulsionada para a excelência com a atuação deslumbrante de Noá Bonoba.



Apresentando alguns dias de filmagens de um filme com baixo orçamento de ficção científica, conhecemos Madalena (Noá Bonoba), uma produtora de cinema prestes a ter o primeiro filho que passou por um momento dilacerante com o falecimento da sua maior referência, na vida e na profissão: seu pai. Precisando concluir um filme, Madalena precisa enfrentar inúmeros obstáculos e situações.

Impressiona como Parente consegue costurar drama e a comédia de forma harmoniosa, produzindo uma química, desde o início, com o público. Mergulhando nos perrengues de uma profissão que precisa provar seu valor a cada momento, o filme também revela a história de uma protagonista imersa em desilusões e decepções, mas que nunca deixar de encontrar um olhar positivo – ou mesmo um afeto carinhoso. É ou não é o reflexo de muitas histórias na realidade?

Pra dar vida a personagem principal, não tinha escolha mais certeira que Noá Bonoba. Que atuação maravilhosa! Sua presença pulsa como um coração vivo: oferece afeto e pede colo. Um verdadeiro presente para todos que tiverem a oportunidade de vivenciar essa obra.

Assistindo a esse filme, você ri, chora e se vê pensando nos dilemas universais que se desenrolam. O que mais se pode esperar de uma obra cinematográfica? Essa história, que certamente chegará com força para quem trabalha com cinema, encontra paralelos em diversas realidades – sociais, profissionais. Morte e Vida Madalena é um deleite para reflexões, um filme para a galeria dos melhores do ano.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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