Estamos em junho, metade do ano de 2022. Enquanto pipocam as festas juninas por todo o país, na Netflix o foco de interesse é outro. Dentre as dezenas de ofertas que a gigante do streaming disponibilizou este mês, uma produção tem se sobressaído mais do que as outras: trata-se da comédia românticaMuito Perto para o Natal’, filme canadense de 2020 que, vejam só, chegou este ano à plataforma e, em pleno junho, emplacou as primeiras posições no Top 10 da plataforma.


Hayley (Jessica Lowndes) é uma excelente organizadora de eventos. Muito trabalhadora, é dessas que nunca tira férias porque acha que o trabalho não pode ficar sem ela e precisa estar no controle de todos os eventos, especialmente o de final de ano. Porém, não neste Natal, pois sua irmã Amy (Vanessa Sears) convidou-a para passar as festas de fim de ano com ela, seu marido (Steve Byers) e seus sogros (Seana McKenna e Rob Stewart), pois é um período muito especial para sua família. Receosa, Hayley aceita o convite, mesmo que isso signifique não estar presente no evento mais importante da empresa e coloque em dúvida sua possível promoção no trabalho. O que ela não esperava era ter que passar as festas de fim de ano com seu novo cunhado, Paul (Chad Michael Murray, de ‘Riverdale‘), a quem tem aversão desde que este fizera um comentário inapropriado sobre sua vida durante o casamento da sua irmã.


Com uma hora e meia de duração, ‘Muito Perto para o Natal’ é um enlatado que mistura uma penca de clichês românticos em um mesmo filme. Literalmente nos cinco minutos iniciais onde o mote é apresentado, já dá para saber absolutamente o que vai acontecer e como terminará o filme – e é exatamente o que acontece, sem frustrar a expectativa de ninguém. Se por um lado isso é bom (afinal, quem curte esse tipo de produção vai receber precisamente aquilo que veio buscar), por outro torna a construção tanto dos personagens quanto do enredo um bocado frágeis, costurando laços com tanto espaço entre si, que a trama fica frouxa ao ponto de ser possível enxergar do outro lado.

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O roteiro de Nicole Baxter centrado apresenta uma base para a protagonista que, ao final, não vai para lugar algum (a tal promoção, quando vem o resultado, em nada influi na resolução do filme, deixando claro que foi um elemento inserido apenas para dar background à personagem). Muitas das falas não saem de forma orgânica (exemplo é quando a sogra vira para Hayley e fala que Paul ficou mais dias por causa dela, mas o filme de Ernie Barbarash não deixa isso claro para o espectador em nenhum momento). Por fim, o romance principal funciona numa equação em que Paul constantemente diz como Hayley deve viver sua vida, numa via de mão única, e ainda assim ela se apaixona por ele.

Esteticamente bonito e recheado com cores e sabores de Natal, ‘Muito Perto para o Natal’ é uma filme de Natal em que o visual é mais agradável do que a história. Ainda assim, vem para mostrar que o público brasileiro quer, sim, histórias de Natal o ano inteiro, e sinaliza para as produtoras que elas devem investir em mais produções do gênero de modo a alimentar este nicho de público.


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