domingo, fevereiro 8, 2026
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O maior vilão do ano!

Baseado no livro History on Trial: My Day in Court with a Holocaust Denier, de Deborah Lipstadt, Negação é o novo filme do cineasta britânico Mick Jackson, cujo filme mais famoso no currículo é O Guarda-Costas (1992), com Kevin Costner e Whitney Houston.

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Na trama do longa, no roteiro adaptado por David Hare (As Horas e O Leitor), a vencedora do Oscar Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel) interpreta Lipstadt, uma professora de história e escritora, que está lançando seu mais recente livro sobre o Holocausto, trágica mancha na humanidade, na qual, durante a Segunda Guerra Mundial os nazistas, a mando de Adolf Hitler, assassinaram das formas mais cruéis prisioneiros judeus em campos de concentração.

Em seu livro, Lipstadt rebate o auto clamado historiador David Irving (papel do vencedor do prêmio em Cannes Timothy Spall – vocês devem conhecê-lo como Rabicho da saga Harry Potter), um escritor especialista em Hitler, que resolve processá-la por difamação. Em sua alegação, Irving afirma ser um autor renomado, respeitado e de tremando sucesso, com trinta anos de carreira e bom relacionamento com as melhores editoras de livros do país – ao contrário da professora Lipstadt. Assim, a protagonista aceita o desafio de enfrentar o sujeito nos tribunais.

O motivo do embate é a afirmação mais que ousada de Irving, acusando o Holocausto de ser uma fabricação histórica, já que não existem provas contundentes, registros históricos (como fotografias), de que o tal massacre judeu tenha ocorrido – como as câmaras de gás que foram usadas para a erradicação de tal povo. De fato, em uma de suas aulas, Lipstadt cita que Hitler e os nazistas não queriam registros e documentação do terrível ato que cometiam. Tem início uma interessante e importante batalha legal para provar um fato da história, quase improvável.

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Apesar do tema bem suculento, e de alguns elementos que citarei a seguir, Negação tem a estética, estrutura e funcionalidade de um telefilme britânico. É um filme previsível, sem grandes surpresas ou reviravoltas, e parte disso está em sua montagem didática e narrativa pra lá de convencional e conservadora. O material fonte é tão bom que poderia render uma produção marcante, dessas com peso de premiações. Do jeito que está, parece realmente uma criação feita para a TV. E este é o aspecto mais negativo do longa de Jackson.

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Retornando aos elementos citados no parágrafo acima, apesar de se comportar como um telefilme britânico, Negação tem um roteiro muito bem costurado, que não deixa espaço para hesitações e trechos a serem limados. O texto de Hare vai direto ao ponto sem rodeios, é objetivo e conclusivo dando o recado de forma direta, e adereçando toda e qualquer pergunta que poderíamos ter sobre a obra.  Além disso, o roteiro serve bem seus intérpretes, capazes de com isso entregar atuações seguras, pairando acima da média. Neste quesito, o destaque fica para o odioso retrato criado por Spall, que entrega o melhor vilão do ano no cinema, um ser humano muito falho, cheio de preconceitos e intolerância, sem que ao menos perceba. A criação de Spall foge da caricatura, acertando na nota ideal e se tornando o maior atrativo na tela.

Negação também traça um enorme paralelo, consciente ou inconscientemente, com a intolerância e o radicalismo pelo qual o mundo passa atualmente. Na era de Trump, de medidas extremas, o novo trabalho de Jackson se mostra essencial, cuja mensagem precisa e deve transcender suas qualidades cinematográficas.

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