Crítica Netflix | Alguém Especial – Lágrimas e risos comandados por Gina Rodriguez

Crítica Netflix | Alguém Especial – Lágrimas e risos comandados por Gina Rodriguez

Nota:


Com abertura para novos diretores e roteiristas, a Netflix tem ampliado a sua gama de produções próprias, principalmente do gênero comédia romântica, mas nem sempre os projetos têm um resultado positivo. Iniciante tanto na direção quanto no roteiro, Jennifer Kaytin Robinson (idealizadora da série Sweet/Vicious) é responsável pela emotiva comédia Alguém Especial (Someone Great), encabeçada por Gina Rodriguez (da série Jane The Virgin).

Com o talento da protagonista aliado à perfeita química entre Jenny Younge (Gina Rodriguez) e Nate Davis (LaKeith Stanfield), Alguém Especial destaca-se na seara de filmes rasos distribuídos on streaming. Apesar de ser um comédia romântica, a narrativa se apoia no relacionamento entre as três amigas Jenny, Blair (Brittany Snow) e Erin (DeWanda Wise), trazendo desafios para todos os personagens, além de participações especiais excelentes como Ru Paul (RuPaul’s Drag Race), como um drug dealer, e Rosario Dawson (das séries Luke Cage, Demolidor e Punhos de Ferro).

Embora o filme consiga balancear todos os personagens, o tom engraçado e as dores de um relacionamento desfeito, o roteiro segue uma estratégia semelhante a de seriados por conta de acontecimentos episódicos durante um dia. Chegando aos 30 anos, Jenny finalmente conseguiu o trabalho dos sonhos: escrever para a revista Rolling Stone, mas isso também significa mudar-se da cidade de Nova York para São Francisco, na Califórnia. Junto com esse novo desafio, a jovem termina um relacionamento de nove anos com o homem que acreditava ser perfeito para ela.

Tendo como base o dia após o rompimento do casal, a narrativa acompanha a montanha-russa de emoções, sensações e flashbacks experimentadas por Jenny. É exatamente essa trajetória que faz de Alguém Especial um filme agradável, divertido e emocionante. A ideia de Jenny para encontrar-se após sentir que despencou de um penhasco é entregar-se às drogas com as suas duas melhores amigas e arrumar ingressos para uma festa imperdível.

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Entre um encontro e outro com personagens exóticos, Jenny relembra os momentos do seu relacionamento, desde a primeira troca de olhares até a derradeira noite do término. Assim, vamos conhecendo a história por trás da dor em doses de desencanto. Todas as cenas entre o casal são de uma inebriante atmosfera, com uma magnética fotografia, trazendo sentimentos desencadeadores de lembranças amáveis e dolorosas.

Ainda que o consumo de drogas seja alto, o roteiro não apresenta os personagens entorpecidos e mostra a fuga mental como uma diversão sem consequências. No meio do turbilhão de emoções do dia, Blair consegue libertar-se de um relacionamento infeliz e Erin a se comprometer com a vida adulta. Apesar das suas personalidades e características diversas, as três amigas conseguem segurar a barra uma da outra e, no fim das contas, sentimos uma inspiração vinda do seriado Sex in the City (1998–2004).

Com um caminho objetivo, Jennifer Kaytin Robinson conta um dia de desventura e despedida na vida de três mulheres amadurecendo em Nova York. A cidade é um personagem importante à história, principalmente Washington Square Park – não tanto quanto Sacramento em Lady Bird (2017), mas a referência ao filme está até mesmo presente nos diálogos. Ou seja, Alguém Especial é uma comédia romântica, no entanto, é também uma história sobre encarar os novos desafios, independente dos romances pelo caminho. Desde o cenário até cada sentença, a produção tem um cuidado de ser feminista e levantar uma bandeira em prol da independência feminina.

Para uma debutante atrás das câmeras e diálogos, Jennifer Robinson consegue encaixar uma história com alguns desajustes, mas uma mensagem motivadora e construtiva. Sobretudo, ela concede aos atores Gina Rodriguez e LaKeith Stanfield – maravilhoso em Sorry to Bother You (2018), sem lançamento no Brasil – um brilho intenso e contagiante que nos faz desejar vê-los juntos e entender a frustração da protagonista.



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