terça-feira, fevereiro 20, 2024

Crítica Netflix | Docussérie Beckham é ÓTIMA para fãs de FUTEBOL e CULTURA POP

Em 1996, um jogador de 21 anos do time de futebol britânico Manchester United marca um gol do meio de campo e ganha atenção da mídia e fama nacional da noite para o dia. No mesmo ano, o rapaz então ídolo do clube desenvolve o interesse de conquistar uma das garotas do quinteto pop Spice Girls, a Posh Spice. Esta é a premissa da mais nova série documental lançada em 4 de outubro na Netflix.

Com talento nos pés e dedicação desde a infância somado ao rosto e pose de modelo ao lado de uma celebridade da música pop, David Beckham e Victoria Adams tornaram-se ícones da cultura pop britânica no fim dos anos 1990, começo dos anos 2000 e seguem até hoje firmes, apesar dos pêndulos da vida, como o casal modelo para a geração da internet discada.

David Beckham e Victoria Beckham na Premiere UK da Netflix’s Beckham: Limited Series em 3 de outubro 2023.

O documentário os apresenta em pleno companheirismo e suporte diante de uma das carreiras mais exigentes, mas também muito bem recompensadas, do mundo. Assim como os documentários de Senna (2010), Schumacher (2021), Pelé (2021) e as minisséries Neymar: O Caos Perfeito (2021) e Arremesso Final (2020), a Netflix busca trazer com certa originalidade os fatos mais marcantes da história do atleta em ordem cronológica com um vasto material de arquivos da época. A série é recheada de depoimentos francos dos protagonistas David e Victoria Beckham, assim como de todos os personagens envolvidos no percurso futebolístico do ícone. 

Se você passou pela adolescência na virada do milênio, David Beckham era admirado pelos homens como símbolo masculino e amado pelas mulheres como alvo de desejo. Como o meio do futebol nunca teve tanto apelo entre o público adolescente feminino, Beckham era a exceção como o galã do esporte e estava em pôsteres de revistas teen e inundava o mundo da publicidade com seu sorriso malandro, cortes de cabelos e estilo ousado, como usar saias e casar-se completamente de violeta/roxo. 

Desde os 13 anos, o adolescente britânico assinou um contrato com Manchester United, time no qual brilhou e conquistou a tríplice coroa, isto é, o campeonato inglês, europeu e mundial na mesma temporada 1998/1999. Um efeito e tanto com gols marcantes, dribles nos pés e muita muita garra. Embora o documentário de quatro capítulos enalteça os efeitos esportivos do craque, durante quase 5 horas de material, a produção explora igualmente os impasses do jogador, seja com a imprensa, a família e os colegas de equipe, seja com, principalmente, treinadores e dirigentes dos times. 

Assistir ao documentário é reviver as glórias e as fofocas dos tabloides do passado. Aos 48 anos, David parece contente com a vida que levou entre as idas e vindas na relação de amor e ódio com o público. A Copa do Mundo de Futebol de 1998 é um desses momentos notáveis da sua trajetória na eliminação justamente contra a Argentina, arqui-inimiga dos britânicos por conta da guerra das Malvinas. Se arte imita a vida, a série Ted Lasso (2020-2023), da AppleTV+, pode ser um bom exemplo, já que os xingamentos da torcida ao treinador na ficção eram bem semelhantes aos da vida real contra o jogador quando ele entrava em campo após a sua expulsão no jogo decisivo contra nuestros hermanos

Beckham ainda disputaria muitos jogos pela seleção da Inglaterra, contudo terminaria sua carreira sem ser campeão mundial, ao contrário dos colegas do Real Madrid: Roberto Carlos, Ronaldo e Zinédine Zidane, ao lado do português Luís Figo. Todos citados, menos o francês, contam suas perspectivas da convivência com Beckham a partir de 2003 no time espanhol, depois do rompimento frio com o seu “pai” no futebol Alex Ferguson, responsável por sua entrada no Manchester United e treinador do time por 27 anos.

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Do outro lado, Victoria Beckham conta os desafios de tornar-se esposa de jogador de futebol, suas gestações conturbadas e a sequência de mudanças de um país a outro conforme o marido mudava de time. Enquanto Beckham encontrava desafios em campo para renascer com o prestígio diante dos torcedores espanhóis, Victoria não se adaptava à Espanha e vivia em conflito com a mídia local e a do seu próprio país. 

Cada episódio, de mais de uma hora, foca em um período da carreira do atleta. Para os menos apreciadores do futebol mundial, alguns percursos de Beckham soam como novidades, já que a imprensa brasileira pouco cobria os campeonatos de outros países. Como as suas passagens menos gloriosas pelo Los Angeles Galaxy (EUA), AC Milan (Itália) e Paris Saint-Germain (França) nos últimos anos de sua bem-sucedida carreira. 

Como todo atleta, o último episódio é sobre quando saber, isto é aceitar, o tempo certo de parar. Estrelas e ídolos precisam escolher o momento por cima para dar o adeus a sua torcida e fãs até o próximo projeto. Em Paris, David Beckham pendurou as chuteiras, mas logo apressou-se a dar um próximo passo, tornou-se empresário do ramo dos esportes. 

Apenas Victoria e David continuam juntos.

Dirigido pelo ganhador do Oscar — pelo documentário A Enseada (2009) — Fisher Stevens, a série Beckman consegue dar voz a todos os participantes e aproxima a câmara aos olhos dos entrevistados buscando descortinar suas emoções. Embora tenha mencionada a massiva participação do astro do futebol em campanhas publicitárias e até a amizade com Tom Cruise, as singelas participações do jogador no cinema não foram nem citadas, como em O Agente da U.N.C.L.E. (2015) e Rei Arthur: A Lenda da Espada (2017).

Assim como na minissérie Arnold (2023), da Netflix, Beckham preserva os momentos delicados e íntimos do casal e o craque evita falar sobre as particulares do seu casamento. Depois de mais de 20 anos juntos e quatro filhos, os David e Victoria são um dos casais símbolos de comprometimento e lealdade, assim como vemos Victoria muito mais solta e faladeira. Por conta dela, a série ganha um humor particular.

Se você tiver algum ídolo esportivo, com certeza gostaria de revisitar momentos memoráveis de sua carreira e títulos. Particularmente, como boa vascaína, faço votos de um documentário sobre Juninho Pernambucano. Acredito, no entanto, que o projeto esteja mais próximo da Prime Video ou Globoplay que da Netflix. Com as participações de Ronaldo e Roberto Carlos nesta produção, a Netflix deu um gostinho para um documentário dos bastidores do saudoso  Mundial de Futebol 2002. Por que não?

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Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Nascida no Rio de Janeiro e apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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