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Crítica | No Ritmo de Natal – Abdomens e Músculos Elevam a Temperatura de Filme Natalino da Netflix


Houve uma época que os filmes de Natal eram basicamente histórias voltadas ao público infantil, que acreditava no bom velhinho. Depois de um tempo, a indústria cinematográfica estadunidense percebeu o potencial da época de Natal e começou a produzir, após uma meia dúzia de clássicos, uma interminável coleção de histórias de romance água-com-açúcar que até hoje preenchem a programação dos canais de lá. Era uma questão de tempo desse açúcar todo gradativamente ganhar uma salpicada de pimenta (afinal, por que não?) e hoje já temos filmes de Natal um pouco mais danadinhos para o público. E, dentre os lançamentos originais programados para esse fim de ano, a Netflix ofertou, dentre cinco títulos, exatamente um que se enquadrava nesses quesitos: ‘No Ritmo de Natal’, já disponível na plataforma.

Homens dançando em palco iluminado com neon.

Ashley (Britt Robertson, da série ‘Under the Dome’) é uma dançarina cujo sonho se realizou: todos os anos ela performa na Broadway um espetáculo de Natal que está sempre com os ingressos esgotados. Porém, a companhia acha que ela está envelhecendo e decide dispensá-la às vésperas do Natal. Sem saber o que fazer, Ashley decide voltar para sua cidade, onde pretende aproveitar a ocasião e passar as festas de fim de ano com sua família, que era algo que ela não conseguia fazer há anos. Uma vez lá, descobre que o restaurante/bar de seus pais está totalmente endividado e os dois correm o risco de perdê-lo. Para evitar que isso aconteça, Ashley decide dirigir uma apresentação de dança para atrair o público para o local. Só que essa apresentação é com rapazes, e inclui bem pouca roupa no figurino…



Não é preciso dizer que para além dos músculos exibidos, o roteiro de Jeffrey Schenck, Peter Sullivan e Marla Sokoloff entrega todo tipo de clichê que se pode esperar não só num filme de Natal, mas, acima de tudo, num filme de romance. O casal principal, AshleyLuke (Chad Michael Murray, figurinha tarimbada nas produções natalinas) encarna o clássico enemies-to-lovers (inimigos que se tornam amantes); mesmo que não sejam exatamente inimigos, os dois entregam boa química. Por outro lado, o roteiro se aprofunda um pouco mais e entrega uma história para além do superficial, que fala de uma jovem mulher que busca seu lugar no mundo e se descobre boa em algo que sempre fez, só que por uma outra perspectiva. Por fim, o filme ainda empodera tanto homens quanto mulheres, afinal, tirar a roupa para o público é trabalhado aqui como uma jornada de autoestima e autoaprendizado, enquanto as mulheres também se dão o direito de frequentar abertamente locais com esse tipo de entretenimento sem serem julgadas na comunidade – e isso é bem legal do filme. Mas, para quem está em busca de abdomens dançarinos, ‘No Ritmo de Natal’ entrega várias cenas coreografas, bem-feitinhas e divertidas.

Homens dançando com chapéus de cowboy em show.

É claro que uma história que envolve homens strippers e Natal é algo que possa ser dado como comum na cultura estadunidense, já que ambos os elementos possuem um mercado fortíssimo que faz a economia girar por lá. Mesmo não sendo algo característico do Brasil, ‘No Ritmo de Natal’ é uma história de amorzinho água com açúcar e um pouco de pimenta, ou seja, uma ótima pedida para quem quer ver braços fortes e abdômen tanquinho nesse fim de ano.

Casal em rua decorada para Natal à noite.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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